A um dia das eleições, traficante El Chapo é julgado nos EUA

Um dos maiores traficantes de drogas do mundo será julgado nesta segunda. A data é simbólica: um dia antes das eleições, e em meio a caravana de imigrantes

O chefe do Cartel de Sinaloa será julgado em uma corte dos Estados Unidos, nesta segunda-feira, um dia para lá de simbólico. Joaquín “El Chapo” Guzmán está preso desde janeiro de 2017, e é acusado por diversos crimes, entre eles conspirações para assassinatos e, claro, tráfico de drogas. O processo, que tem mais de 14.000 páginas, é considerado um desafio para a promotoria americana, que já afirmou não estar completamente preparada para julgar o homem de 61 anos.

O mexicano El Chapo é considerado um dos maiores traficantes de drogas do mundo, já foi preso em 1993, 2014 e 2016, mas também já fugiu em 2001 e 2015. Seu julgamento acontece num momento de inflexão da produção e venda de drogas. Uma reportagem publicada na semana passada pela agência de notícias Reuters mostrou que o tráfico está em plena expansão pela América Central. A produção de cocaína passou a ser feita em países como Guatemala e Honduras, com o objetivo de ficar ainda mais perto do mercado americano.

Honduras e Guatemala são países marcados pela corrupção, e têm pouca experiência no rastreamento do cultivo de coca, além de possuir grandes extensões de terras inacessíveis ideais para traficantes em busca de novos redutos.

São também dois dos países que mais cederam imigrantes para a já histórica caravana que há 27 dias cruza a América Central e o México em direção aos Estados Unidos. O grupo que segundo alguns cálculos pode chegar a 11.000 pessoas começou a chegar no domingo à Cidade do México e ainda tem pela frente 1.000 quilômetros até a fronteira.

Ainda assim, o presidente americano Donald Trump, já posicionou 5.000 militares para esperar pelo grupo que segundo ele está cheio de marginais e traficantes. O timing, neste caso, é tudo. Os eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira para renovar dois terços do Congresso, numa eleição que pode tirar a maioria republicana mesmo com os ótimos números econômicos alcançados nos dois primeiros anos do governo Trump.

A leitura de alguns analistas é que as coisas vão tão bem que economia deixou de ser uma questão para os eleitores. Com emprego e dinheiro no bolso, eles preferem se focar em temas sociais. Neste caso, o sofrimento dos imigrantes pode ser uma questão mais importante do que a ameaça econômica que representam.

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