A pegada de carbono dos voos “olímpicos”

Uso de avião, principalmente em viagens internacionais, pode representar mais da metade de todas as emissões de gases efeito estufa de quem vai assistir aos jogos em Londres

São Paulo – Às vésperas da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, nesta sexta-feira, o céu anda movimentado em Londres. Para um evento que se pretende o mais sustentável do mundo, não é possível ignorar os efeitos que as viagens de avião têm sobre o meio ambiente. Atentos à questão, os anfitriões encomendaram um estudo que aponta que o uso de avião, principalmente em viagens internacionais, pode representar mais da metade (52%) de todas as emissões de gases efeito estufa de quem vai assistir aos jogos na cidade. Ao todo, são esperados 2 milhões de visitantes.

O levantamento, feito por uma consultoria independente especializada no cálculo da pegada de carbono, a Best Foot Forward (BFF), foi realizado há dois anos como parte de uma estratégia, ou melhor, uma tentativa, de mapear as origens das emissões associadas direta ou indiretamente aos jogos e bolar, com antecedência, soluções para compensá-las.

Na conta, entram uma série de fatores, que vão desde as emissões da infraestrutura, passando pelo consumo de energia aos serviços de hospedagem e ao impacto gerado pelos espectadores, estes últimos responsáveis por 20% do total de emissões. Mais da metade da pegada de carbono de cada visitante deverá vir das viagens áreas, tanto as que ocorrem dentro do Reino Unido quantos as internacionais, como mostra o gráfico abaixo.

Já carro e ônibus devem ser a opção de transporte para apenas 25% dos espectadores, aqueles da região metroplitana de Londres. Outros 45%, vindos das demais regiões do Reino Unido, devem chegar à cidade-sede por trem ou metrô. Os restantes 30%, que virão do exterior, deverão optar majoritariamente por avião. Ao todo, as emissões associadas ao transporte por terra ou céu devem girar em torno de 400 mil toneladas de CO2e, segundo o levantamento.

Também foram calculados os impactos causados pela hospedagem, produtos oficiais do evento, e por serviços de alimentação e de limpeza dentro e fora do circuito olímpico, que apesar de menores, ainda são significativos.