A nova atração turística no México? O tour da corrupção

Passeio leva turistas para locais que protagonizaram escândalos de corrupção no país e inclui até passagem pela residência do presidente Peña Nieto

São Paulo – Além do Castelo de Chapultepec, o Palácio de Bellas Artes e o Museu Nacional de Antropologia, quem estiver passeando pela Cidade do México (capital do México) agora tem a opção de fazer um passeio nada convencional: o chamado Corruptour, que leva seus turistas até locais ícones em escândalos de corrupção no país.

Ao todo, o passeio conta com 10 paradas. Entre elas, a “Casa Branca” do presidente Enrique Peña Nieto. Avaliada em US$ 7 milhões, a residência foi alvo de uma investigação jornalística que revelou que a mesma não estava registada no nome de ninguém da família do político, mas de uma empreiteira. Uma empresa que foi uma das maiores detentoras de contratos de obras públicas quando Peña Nieto era governador do estado do México.

Outro ponto “turístico” visitado é o monumento dedicado à memória dos 43 estudantes de Ayotzinapa, que desapareceram em 2014 na cidade de Iguala, estado de Guerrero. O caso chocou o mundo depois que evidências mostraram o possível envolvimento de policiais e políticos influentes da região no sumiço do grupo, bem como os seus vínculos com cartéis de drogas.

Nesse lugar, explicam os organizadores do passeio, a ideia é a de mostrar aos participantes como as omissões do poder público são, também, formas de corrupção, e como esses atos impactam a todos.

O Senado, o prédio da rede Televisa e da Procuradoria Geral de Justiça do Distrito Federal também são outros lugares visitados.

O Corruptour é gratuito e acontece todos os domingos. Além disso, é financiado a partir de doações privadas e organizado por uma rede de ativistas, sem qualquer participação de figuras políticas ou do governo local.

Corrupção no México

O último levantamento da organização não governamental Transparência Internacional que avaliou a percepção da corrupção por cidadãos de 176 países posicionou o México na 123ª posição (o Brasil ficou na 79ª colocação). O país acumulou 30 pontos no ranking desse ano, cinco a menos que o registrado nos anos anteriores. Segundo a entidade, foi a maior queda entre os países das Américas.