A Itália no ringue dos referendos

Neste 2016, as urnas têm sido fonte de fortes emoções. Depois de surpresas como o Brexit, Donald Trump e a paz na Colômbia, chegou a vez da Itália. Os italianos votam no domingo num referendo que decide se alteram a constituição do país, a fim de tornar mais fácil a aprovação de pautas e mudanças vindas do executivo. Por razões históricas, a ver o fascismo de Benito Mussolini, qualquer medida que altere a constituição com o intuito de aumentar a concentração de poder nas mãos do executivo precisa ser aprovada pela população.

O projeto, encabeçado pelo primeiro ministro Matteo Renzi, prevê um enfraquecimento do Senado, com a possibilidade da aprovação de medidas somente com a maioria na Câmara. O Senado italiano tem 315 membros, quatro vezes maior que o brasileiro. O objetivo é aprovar uma reforma que tire a Itália de 20 anos de anemia econômica, com uma taxa de desemprego que atinge 11,5% da população. Com a exceção da Grécia, a Itália é o país da Zona do Euro que tem a pior performance econômica pós-crise de 2008. Renzi já deixou afirmado que, caso seja derrotado no referendo, irá renunciar ao cargo — ele se elegeu prometendo mudanças no setor econômico.

O medo, tanto nos mercados quanto nos agentes políticos, é que uma vitória do “não” jogue a Itália em um turbilhão de incerteza que pode enfraquecer o país e também toda a União Europeia, somando-se ao Brexit. A dívida externa da Itália é de preocupantes 132% do PIB e os bancos têm títulos de empréstimos pouco sustentáveis que somam 360 bilhões de euros. Uma crise bancária poderia agravar a questão da dívida. 

As últimas pesquisas do referendo apontam para uma vitória do “não”, 53,5% a 46,5%. Apesar disso, há ainda muitos indecisos e pouca confiança nos institutos de opinião — que estão com pouco crédito na praça. Em um 2016 marcado por tantos reveses, o mais seguro é dizer que qualquer coisa pode acontecer.