A diferença entre Alckmin e Lula para o investidor

As diferenças na abordagem microeconômica de Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva podem afetar um determinado grupo de ações em detrimento de outras – apesar de os investidores estrangeiros continuarem vendo com indiferença o resultado da sucessão presidencial no Brasil.

Caso Alckmin seja eleito, devemos ver o fortalecimento do papel das agências reguladoras, o viés ‘;privatizacionista’;, um estilo de gestão mais próximo ao das corporações privadas em estatais como Banco do Brasil e Eletrobrás e possibilidade de maior êxito na aplicação dos modelos de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Além disso, espera-se um desenvolvimento acelerado da infra-estrutura da produção e exploração de hidrocarbonetos em detrimento ao biodiesel.

Por isso, num eventual governo Alckmin, vale a pena ter uma exposição maior em empresas de telecomunicações, principalmente Telemar (TNLP3) e TIM (TCSL3), e em Eletrobras (ELET3), que deve ser utilizada por um eventual como instrumento gerador de superávit primário. Recomendaria ainda a compra de ações do Banco do Brasil e das concessionárias de rodovias, em razão da expectativa de PPPs e privatizações. Além disso, os esperados investimentos nos setores de petróleo e gás também devem favorecer Confab (CNFB4), Petrobrás (PETR4) e as distribuidoras de gás natural, como a Comgás (CGAS5) e a CEG Rio (CEGR4).

Já o governo Lula é forte incentivador do biodiesel – o que poderia favorecer as ações da Cosan (CSAN3). Também recomendo, no caso de reeleição, a compra de ações de siderúrgicas de aços longos, porque essa indústria é um cartel no Brasil e o PT tem mostrado pouco interesse em fortalecer o Cade. Além disso, os fundos de pensão podem ser fortalecidos num segundo mandato de Lula, o que beneficia os papéis da GP Investimentos (GPIV11), que é uma grande captadora de recursos desses fundos.

Em termos de política externa, a expectativa é que Alckmin fortaleça as relações comerciais com os Estados Unidos, o que pode resultar no aumento das importações – enquanto o governo Lula prefere concentrar o relacionamento na América Latina. Na prática, a diferença entre esses comportamentos é que, em um segundo mandato PT, o real tende a se manter valorizado. Para uma política PSDB, o real se desvalorizaria com aumento das importações.

Marcos Elias é sócio da Galleas Investimentos