A complexidade da Nigéria que vai às urnas

Com uma semana de atraso, juventude nigeriana deve escolher entre dois septuagenários

A Nigéria é a maior produtora de petróleo do continente africano, e a nação com mais pessoas em situação de extrema pobreza no mundo. No próximo sábado, milhares de jovens eleitores ー considerando que 51% da população tem entre 18 e 35 anos ー irão às urnas para depositar seus votos nos dois septuagenários que lideram o pleito presidencial. A disputa acontecerá com uma semana de atraso após ter sido adiada sem grandes explicações no último final de semana.

Este será o sexto presidente democraticamente eleito desde o final da ditadura militar nigeriana que perdurou até 1999. Embora as eleições do próximo sábado contem com expressivos 73 candidatos, na prática a disputa deve se concentrar entre os dois políticos mais tradicionais da Nigéria: Muhammadu Buhari, atual presidente que tenta sua primeira reeleição, e Atiku Abubakar, megaempresário e líder oposicionista que foi vice-presidente entre 1999 e 2007.

No último sábado, poucas horas antes de os nigerianos irem às urnas, a Comissão Eleitoral anunciou que estava remarcando o pleito para este final de semana, alegando problemas técnicos.

À imprensa, o presidente da Comissão, Mahmood Yakubu, declarou que “para garantir a realização de eleições livres, justas e confiáveis, não é factível seguir com as eleições da forma como estavam programadas”. Segundo relatos da oposição, o adiamento teria sido feito por ataques a locais de votação e falta de cédulas em alguns estados.

O próximo presidente da Nigéria assumirá o desafio de governar a nação mais populosa da África, com cerca de 200 milhões de habitantes, e também o de tirar o país da quase exclusiva dependência do petróleo que faz com que sua economia fique à mercê do mercado internacional.

Ex-general do exército nigeriano e atual presidente do país, Muhammadu Buhari, de 76 anos, foi eleito eme 2015 e agora tenta sua reeleição. Antes disso, em 1983, Buhari já havia assumido o comando da Nigéria através de um golpe de estado que durou dois anos, quando foi deposto por outro golpe, em 1985.

Após três décadas, o líder com forte apoio dos muçulmanos do Norte conseguiu se eleger por meio do voto direto e passou a ser bem visto aos olhos do povo nigeriano, através de medidas como uma forte intervenção estatal e nacionalização dos serviços e também pelo apoio de microcrédito que beneficiou cerca de 2 milhões de pequenos comerciantes.

Do lado da oposição e trazendo o morte “Let’s Get Nigeria Working Again (Vamos fazer a Nigéria trabalhar novamente), Atiku Abubakar é um empresário de 72 anos que fez fortuna em diversos setores, como na agricultura e educação. Diferente de seu adversário que preza pela intervenção estatal na economia do país, Abubakar promete tornar o país economicamente mais liberal e aberto a investimentos estrangeiros.

Nos últimos três anos, com a queda do preço do barril de petróleo, o PIB da Nigéria, 13° maior produtora do mundo, despencou de 568,6 para 375,8 bilhões de dólares. Com isso, o país em que 60% da população é constituída por jovens passa por uma grave crise de desemprego com taxas que chegam a 23% para a população geral e 36% para os jovens. Este deverá ser um dos principais critérios para a escolha do novo presidente.