A bela e a fera: Trudeau e Trump

Tão perto, tão longe. A frase define o encontro do presidente americano, Donald Trump, com o primeiro ministro canadense, Justin Trudeau. Apesar da proximidade geográfica, Trump e Trudeau não poderiam discordar mais ideologicamente.

O canadense vai até os Estados Unidos tratar de um assunto espinhoso: manter as taxas de importação e exportação intactas entre os dois países e preservar o acordo comercial da América do Norte, conhecido como Nafta. Canadá e Estados Unidos trocam todos os anos 545 bilhões de dólares.

Há muito na balança para Trudeau. Três quartos das exportações de seu país vão para os Estados Unidos, com 2,5 milhões de empregos dependendo dessa troca comercial. O primeiro ministro não tem apenas com pedidos: deve apontar a Trump que jogar duro contra o Canadá irá prejudicar os próprios americanos — estimados 9 milhões de pessoas têm seus empregos vinculados com as exportações ao vizinho do norte, no valor de 267 bilhões de dólares. O Canadá é o maior parceiro comercial de 35 estados, principalmente do nordeste, grande responsável pela eleição de Trump.

Difícil saber a efetividade dos apelos e argumentos de Trudeau. Trump e seu gabinete já acusaram Japão e Alemanha de desvalorizar propositalmente suas moedas para prejudicar as exportações dos Estados Unidos. O americano também já afirmou que irá taxar importados de China e México, além de ter tirado os norte-americanos do Tratado Transpacífico e ameaçar a estabilidade do Nafta.

Trudeau, um auto-declarado apoiador de causas feministas e LGBTs que abriu as portas do Canadá para milhares de refugiados sírios é praticamente antagônico a Trump, acusado de atacar mulheres, que cortou fundos para organizações pró-aborto e baniu imigrantes de entrarem nos Estados Unidos. Para o bem da boa vizinhança, são assuntos que não devem entrar nas discussões, que devem se focar em economia. Ainda assim, chegar a consensos não será fácil.