Trump deve divulgar novo projeto para saúde hoje

Os senadores estão esperando diversas mudanças em relação ao Obamacare

A batalha do Partido Republicano para repelir e substituir o programa de acesso à saúde Obamacare está cada vez mais próxima do fim. Ao menos é o que gostariam de acreditar o presidente Donald Trump e os principais republicanos do Senado. Hoje, o partido deve divulgar a mais nova versão do projeto que deve substituir a antiga lei — e que vem dividindo o partido do presidente antes da validação da matéria.

Os senadores estão esperando diversas mudanças em relação à antiga versão do projeto. Embora tudo ainda esteja às escuras antes da apresentação oficial, espera-se que haja o retorno dos impostos para os mais ricos e para rentistas, retirados na lei original do Senado, e um pacote de 45 bilhões de dólares para tratar viciados. As medidas desagradam os republicanos mais conservadores, que estão ajudando na elaboração da lei. Para isso, espera-se que seja passada uma provisão do senador texano Ted Cruz, que admitiria que as companhias seguradoras ofereçam planos não liberados pelo Obamacare atualmente. Ainda assim, era incerto até ontem qual seria o apoio dos mais conservadores.

Os republicanos estão em uma corrida contra o tempo para aprovar a lei o quanto antes e esperam que a Comissão Orçamentária do Congresso (CBO, na sigla em inglês) divulgue um parecer sobre o texto no início da semana que vem. Na terça-feira, o senador Mitch McConnell já havia anunciado que cortaria o recesso de verão do Senado pela metade, justamente para tocar o projeto de lei com mais celeridade. O presidente Trump, que hoje participa em Paris das celebrações do 14 de Juho, afirmou que ficará “muito bravo caso os republicanos não passem a lei”.

Os republicanos, que têm maioria no Senado com 52 cadeiras do total de 100, lutam para conseguir unir as diferentes alas do partido em torno do texto. Os democratas já deixaram claro que são integralmente contrários a qualquer projeto apresentado.

O problema de coesão resiste nos republicanos mais moderados e nos mais conservadores: os primeiros têm receio de aprovar uma lei muito dura, que poderia deixar seus eleitores à mercê da própria sorte diante dos altos custos de saúde nos Estados Unidos e refletir essa insatisfação nas urnas; os mais conservadores temem que a aprovação de uma lei que taxa os mais ricos traga efeitos nocivos à economia. Um documento divulgado pela CBO prevê que as partes da lei proposta pelo Senado fariam 22 milhões de americanos perder o acesso a um plano de saúde em 10 anos. O duro é achar um meio termo.