A batalha de Dabiq é tida como símbolo da causa jihadista

Depois de hastear em agosto sua bandeira negra em Dabiq, o EI incitou seus partidários a fazerem da cidade um símbolo de sua força

Cairo – Ameaçado por uma horda de infiéis, o Exército dos Muçulmanos foi dizimado, mas, finalmente, triunfou na cidade síria de Dabiq, anuncia uma profecia do Islã que os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) esperam que aconteça em breve.

Depois de hastear em agosto sua bandeira negra em Dabiq, o EI incitou seus partidários a fazerem desta pequena cidade do norte da Síria, não muito distante da fronteira com a Turquia, um símbolo de sua força.

“Os leões do Islã hastearam a bandeira do califado em Dabiq. Eles agora esperam o Exército dos cruzados”, escreveu recentemente no Twitter um simpatizante tunisiano do grupo extremista.

E quando Washington reuniu uma coalizão para lutar contra o EI, que controla grandes áreas no Iraque e na Síria, e o general americano Martin Dempsey mencionou a possibilidade de enviar tropas terrestres, os militantes do EI previram uma batalha por Dabiq.

“Quando você se desesperar diante do poderio aéreo, você vai nos encontrar em Dabiq”, escreveu um deles no Twitter em referência aos ataques aéreos da coalizão internacional anti-jihadista.

Outros passaram a contar o número de países envolvidos na coalizão – mais de 60 atualmente – na esperança de que este número chegue a 80, como citado nos hadiths, o conjunto de palavras e ações atribuídas ao profeta Maomé compiladas por seus companheiros ou fiéis que são uma das fontes do Islã.

“Isto aumenta o moral. Podemos pensar que a grande maioria dos combatentes (do EI) acredita neste tipo de discurso”, afirma Shadi Hamid, pesquisador do Brookings Institute.

Centelha acesa no Iraque

Como muitos hadiths, este possui várias versões, sendo que uma assegura que, após Dabiq, o Exército Muçulmano tomará Constantinopla, a antiga capital do Império Cristão do Oriente, hoje Istambul.

Portanto, a decisão da Turquia de se aliar à coalizão é vista por alguns como um novo preságio.

Dabiq é tão importante para o EI, que o grupo fez dela a manchete de sua revista on-line, publicada em várias línguas.

Foi Abu Musab al-Zarqawi, líder da Al-Qaeda no Iraque morto em junho de 2006, que popularizou entre os seus seguidores a ideia da profecia e da batalha. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (hoje EI) surgiu da Al-Qaeda.

“A centelha foi acesa no Iraque e suas chamas vão se alastrar até queimar os exércitos cruzados em Dabiq”, disse ele em uma gravação de áudio antes de sua morte em 2006, em um ataque aéreo americano.

Para os partidários do EI, a criação no final de junho de um “califado” sobre os territórios conquistados no Iraque e na Síria, com Abu Bakr al-Baghdadi à frente, já é por si só o cumprimento de uma profecia.

Alguns jihadistas que lutam nesses países acreditam que Baghdadi é o califa e que os ataques da coalizão são um prenúncio da batalha de Dabiq.

Mas nem todos os membros do EI estão necessariamente convencidos.

“É possível que isto aconteça no futuro, mas eu não acredito que os muçulmanos estejam obcecados com isso”, disse à AFP Anjem Chudary, um pregador britânico que apoia o EI.

“O que precisamos fazer agora é aplicar a sharia” nos territórios que a organização controla, considera.