50 anos depois, Obama reafirma sonho de Luther King

Presidente americano citou os pioneiros dos direitos civis na cerimônia em comemoração aos 50º aniversário da Marcha de Washington

Washington – Em seu discurso na cerimônia em comemoração ao 50° aniversário da Marcha de Washington, o presidente Barack Obama citou os pioneiros dos direitos civis. Na primeira marcha ocorrida décadas atrás, Martin Luther King fez o famoso discurso “Eu tenho um sonho”, presenciado por cerca de 250 mil pessoas que foram até o Lincoln Memorial pedir por igualdade racial.

Nesta quarta-feira, centenas de pessoas lotaram o Memorial, onde o primeiro presidente negro dos EUA discursou um pouco depois das três horas da tarde (horário de Brasília), mesma hora que King fez seu discurso encantador.

A primeira marcha aconteceu no início dos turbulentos anos 1960, quando ainda existia no Sul banheiros, escolas e carreiras separadas para negros e brancos, e o racismo dominava o país. Nos primeiros dois anos após a marcha, o presidente Lyndon Johnson assinou o Ato de Direitos Civis e o Ato do Direito ao Voto para banir a discriminação e King recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

“Casais enamorados não puderam se casar. Soldados, que lutaram pela liberdade no exterior, não puderam encontrá-la em casa”, disse Obama, retornando ao sobre o passado. “A América mudou para vocês e para mim”, acrescentou logo depois.

Ainda assim, Obama pontuou as disparidades econômicas do país em meio às evidências de que as esperanças de King ainda não foram realizadas.

O nome original da marcha era Marcha de Washington por Emprego e Liberdade. Obama afirmou que King é uma das duas pessoas que ele admira “mais do que qualquer outra na história americana.” A outra é Abraham Lincoln. Centenas de pessoas ouviram o discurso do presidente embaixo de uma chuva fina.

Dois ex-presidente, Bill Clinton e Jimmy Carter, também falaram sobre o legado de King e os problemas que ainda não foram resolvidos. “A marcha e aquele discurso mudaram a América”, declarou Clinton.


Carter citou os esforços de King para ajudar não apenas os negros americanos, mas “na verdade, ele ajudou a libertar todas as pessoas.”

Oprah Winfrey, Forest Whitaker e Jamie Foxx estavam entre as celebridades presentes na comemoração.

Winfrey disse que King forçou a nação a “acordar, olhar para si mesmo e eventualmente mudar.”

Comemorações internacionais tiveram lugar na Trafalgar Square, em Londres, no Japão, Suíça, Nepal e

Libéria. O prefeito de Londres, Boris Johnson afirmou que o discurso de King ressoou em todo o mundo e continua a inspirar pessoas como um dos maiores discursos já realizados.

Em 28 de agosto de 1963, quando terminava seu discurso, Kind citou uma canção popular nacionalista, “My Country ‘Tis of Thee” (Meu País é de Vocês”, na tradução livre) e pediu à audiência que deixasse o sino da liberdade soar.

“Quando nós permitirmos o sino da liberdade soar, quando deixarmos ele soar em cada cidade e cada vilarejo, em todo estado e em toda cidade, seremos capazes de acelerar o dia em que todas as crianças de Deus, homens negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar as mãos e cantar nas palavras do velho negro espiritual, “Livres afinal, livres afinal, agradeço a Deus todo poderoso, somos livres afinal”, finalizou King.

O líder dos direitos civis foi assassinado cinco anos mais tarde. Fonte: Associated Press.