4 unidades militares curiosas (e a sua importância estratégica)

Potências não confiam somente em aparatos convencionais em suas estratégias de defesa. Conheça algumas unidades militares curiosas

São Paulo – Forças Armadas de diferentes países não confiam apenas no poderio militar convencional em suas estratégias de defesa e de guerras e a história está repleta de exemplos disso. Abaixo, EXAME selecionou alguns exemplos que mostram como a criatividade, a pesquisa e a inovação resultaram em unidades militares curiosas, mas não menos estratégicas.

Paradogs, os cachorros paraquedistas

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido treinou estes soldados de quatro-patas para que saltassem de paraquedas nas linhas de batalha contra os nazistas. Seu treinamento, contudo, era um tanto cruel: ficavam dias comendo pouco e consumindo pouca água. E eram atraídos para fora da aeronave com um pedaço de carne.

Os animais tinham como objetivo ajudar os soldados humanos a detectar a presença de inimigos. Foram usados especialmente durante os desembarques na Normandia, posteriormente conhecidos como “Dia D” da vitória contra os nazistas, em junho de 1944.

De acordo com um ex-oficial, que na ocasião foi acompanhado de uma cachorra chamada Reena, ela aterrissou com tranquilidade e logo abanou o rabinho quando o reencontrou. Outro cão, Bing, foi essencial para encontrar um grupo de nazistas escondidos em uma casa. A ação resultou na tomada destes alemães como prisioneiros e lhe rendeu a medalha Dickin, alta honraria que homenageou os esforços das tropas caninas no conflito.

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Ritchie Boys, judeus alemães que lutaram contra os nazistas

Eles escapar da perseguição dos judeus na Alemanha e encontrar refúgio nos Estados Unidos. Movidos pelo sentimento de justiça, decidiram se juntar ao exército americano na luta contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Ficaram conhecidos como Ritchie Boys em razão do campo de treinamento de mesmo nome, localizado no estado de Maryland.

Estes jovens falavam alemão fluentemente, conheciam os costumes e a psicologia do inimigo. Se tornaram, portanto, uma arma importantíssima para a derrota nazista. De acordo com o jornalista Bruce Henderson, que escreveu um livro sobre o tema, lançado no Brasil no ano passado, 60% da inteligência relevante para a derrota nazista foi coletada por esse grupo.

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Os soldados de brinquedo

Parece brincadeira, mas não é. O exército dos Estados Unidos apostava no uso de tanques e aviões de borracha para enganar os nazistas. De acordo com um artigo sobre o assunto do site The Atlantic, os soldados que fizeram parte desta unidade foram recrutados diretamente de escolas de arte, teatros e agências de publicidade.

O seu objetivo era o de criar cenários que mostrassem uma forte presença aliada, ainda que ninguém estivesse lá de verdade. Os atores atuaram como generais aliados e tinham como missão andar tranquilamente pelas ruas de diferentes cidades, com postura de vencedor e se exibindo para espiões alemães.

Fofos e perigosos

Golfinhos são mamíferos adoráveis e muito inteligentes. Não à toa, foram rapidamente vistos por militares como uma oportunidade. Na Rússia, por exemplo, uma série de animais marinhos, como golfinhos, belugas, leões marinhos e focas, foram treinados na busca por minas navais, especialmente durante a Guerra Fria.

De acordo com a revista Time, ainda hoje esses animais são treinados pelos russos. Há, inclusive, uma chamada “força submarina especial” composta por eles. Seu objetivo? Além de detectar minas navais, proteger a entrada de bases navais e até “matar qualquer coisa que invada o território russo”.

A Rússia, no entanto, não é o único país a apostar nestes animais. Os Estados Unidos também contam com um programa de treinamento para fins militares.

Ao infinito e além!

Forças espaciais não entram necessariamente na categoria de unidades militares, mas não deixam de ser uma inovação curiosa que vem ganhando força entre as principais potências do mundo, como Estados Unidos e França.

No ano passado, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a criação de um novo braço das forças armadas do país, o sexto, e que abarcaria a exploração espacial. No mês passado, foi a vez de o presidente francês, Emmanuel Macron, fazer o mesmo.

O objetivo destes novos braços militares é o de proteger satélites de ataques e aumentar as capacidades militares em um espaço que, segundo a agência Reuters, será reconhecido pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como um domínio de guerra.