30 são acusadas de terrorismo após confrontos na Macedônia

Os combates violentos de Kumanovo acontecem em meio a uma grave crise política na Macedônia, país candidato a entrar na União Europeia há 10 anos

Kumanovo – A justiça da Macedônia acusou nesta segunda-feira de “terrorismo” 30 pessoas detidas em Kumanovo (norte), após violentos confrontos entre as forças de segurança e um grupo armado de origem albanesa, que deixaram 22 mortos no fim de semana.

“Os suspeitos são acusados de terrorismo e de ameaça à ordem constitucional e à segurança”, afirma um comunicado da Promotoria.

A promotoria de Macedônia informou que 18 kosovares estão entre as 30 pessoas de origem albanesa indiciadas por “terrorismo”.

“Dezoito são kosovares, 11 são cidadãos macedônios – dois deles viviam no Kosovo – e o outro é da Albânia, mas residia na Alemanha”, informa um comunicado.

Alguns são acusados de “posse ilegal de armas e de explosivos”, segundo o comunicado.

O governo do Kosovo condenou “qualquer envolvimento” de seus cidadãos nos distúrbios da Macedônia.

“A presidente Atifete Jahjaga e o primeiro-ministro Isa Mustafa condenam qualquer envolvimento de cidadãos do Kosovo nos incidentes na Macedônia”, afirma um comunicado.

As forças especiais abandonaram nesta segunda-feira Kumanovo, na fronteira com o Kosovo, depois da repressão a um grupo de insurgentes de origem albanesa.

Este foi o confronto mais violento na Macedônia em 14 anos, o que provocou uma forte inquietação na União Europeia e na Otan, que temem a repetição de um conflito similar ao de 2001, que envolveu durante seis meses as Forças Armadas macedônias e rebeldes albaneses que exigiam mais direitos.

A Macedônia, uma ex-república iugoslava, tem 2,1 milhões de habitantes, em sua maioria eslavos.

Quase 25% da população tem origem albanesa.

Nesta segunda-feira, os moradores que fugiram dos bairros de maioria albanesa de Kumanovo, onde aconteceram os combates do fim de semana, retornavam para suas casas, muitas delas destruídas.

No domingo, a polícia anunciou o fim da operação depois de “neutralizar um grupo terrorista”.

Das 22 vítimas fatais do fim de semana, oito eram policiais e as outras 14 integrantes do grupo armado.

Trinta e sete policiais ficaram feridos e seu estado de saúde é estável.

Os combates violentos de Kumanovo acontecem em meio a uma grave crise política na Macedônia, país candidato a entrar na União Europeia (UE) há 10 anos.

“A Macedônia enfrenta a crise política mais grave desde sua independência em 1991”, afirmou à AFP Biljana Vankovska, analista política especializada em questões de segurança.

A oposição de esquerda acusa o governo de corrupção e de espionagem telefônica de mais de 20.000 pessoas, incluindo líderes políticos, jornalistas e autoridades religiosas.