2016 pode se tornar o ano mais mortal para os refugiados

Apenas em 2016, 4.027 pessoas morreram tentando chegar à Europa. Esse número já é 26% maior que o observado em 2015 no mesmo período

São Paulo – O drama dos refugiados que tentam chegar até a Europa parece não ter fim. Em um relatório divulgado nesta manhã, a Organização Internacional para Migrações (OIM) revelou que foram registradas 4.027 mortes no primeiro semestre de 2016.

Esse número é 26% maior que o observado em 2015 no mesmo período. Se nada for feito e esse ritmo de fatalidades não diminuir, 2016 pode se tornar o ano mais mortal dessa crise.

E as rotas mais perigosas continuam sendo aquelas que atravessam o Mar Mediterrâneo. De acordo com os dados compilados pelo Missing Migrants Project, 3.120 dessas mortes aconteceu durante essas travessias.

Ao todo, 257.186 imigrantes e refugiados chegaram em solo europeu em 2016 depois de cruzar o Mediterrâneo. A maioria deles desembarcou na Itália ou Grécia, sendo que 24 mil realizaram essa jornada apenas em julho.

A mais mortal das rotas por mar é a central, na qual os refugiados ou imigrantes desembarcam na Itália. Esse trajeto registrou quase 95 mil desembarques e cerca de 2.700 mortes. No caso da rota que chega à Grécia, o número de mortes é significativamente menor (383), embora tenha observado mais chegadas (pouco mais de 160 mil).

Veja abaixo outros números sobre as rotas de refugiados e imigrantes via o Mediterrâneo:

Mortes em terra

Os imigrantes e refugiados que chegam à Europa por terra não deixam de estar vulneráveis. Segundo os números do relatório atual da OIM, 26 pessoas morreram só neste ano, número levemente menor que o de 2015, quando 31 mortes aconteceram.

A região que oferece o pior cenário é no norte da África, onde milhares de pessoas tornam-se alvos de traficantes violentos e arriscam suas vidas em embarcações precárias. Lá, foram registradas 342 mortes, três mais que no ano anterior.

Crise

Com o aumento na incidência de ataques terroristas na Europa, cresce a pressão nos governos para que controlem ainda mais a entrada de refugiados e imigrantes, numa tentativa de conter o extremismo. A situação é ainda mais delicada na Alemanha, que já recebeu um milhão de pessoas só em 2015.

Contudo, Angela Merkel deixou claro que não mudará as regras para concessão de asilo no país por conta dos episódios recentes de violência registrados no país, mas prometeu desenvolver um programa de alerta que possa ajudar na detenção de pessoas radicalizadas e que acelere o processo de deportação daquelas que tiverem o pedido de asilo negado.