Wall Street vive segundo pior pregão pós-eleitoral desde 48

Os mercados nova-iorquinos abriram com números vermelhos, e as perdas se intensificaram rapidamente até o índice Dow Jones Industrial ficar abaixo da barreira dos 13.000

Nova York – Wall Street sofreu nesta quarta-feira sua segunda pior jornada pós-eleitoral desde 1948, depois que, com Barack Obama já reeleito como presidente dos Estados Unidos, as preocupações dos investidores voltaram a se concentrar no ”precipício fiscal” que poderia levar maior economia do mundo à recessão.

”Com o Congresso ainda dividido, o presidente Obama vai ter uma missão difícil para conseguir um apoio bipartidário a um acordo completo que solucione a longo prazo o problema de como pôr de novo as finanças do país em um caminho sustentável”, assegurou hoje a firma de análise econômico Capital Economics.

Os mercados nova-iorquinos abriram com números vermelhos, e as perdas se intensificaram rapidamente até o índice Dow Jones Industrial ficar abaixo da barreira dos 13.000 pontos pela primeira vez desde agosto, fechando aos 12.932,73 pontos.

Esse resultado é o segundo pior do principal indicador de Wall Street em um dia pós-eleições nos Estados Unidos desde 1948, apenas atrás da queda de 5% que sofreu em 2008, quando Obama ganhou seu primeiro pleito e o país vivia sua pior crise desde a Grande Depressão dos anos 30.

As coisas não andaram melhor para os outros dois principais índices dos mercados nova-iorquinos: o seletivo S&P 500 caiu da barreira de 1.400 pontos (-2,37%), e o índice composto do mercado Nasdaq ficou abaixo dos 3.000 (-2,48%).

As esperanças de Wall Street de que o pleito terminaria com um resultado claro que deixaria para trás o clima de incerteza gerado pela longa campanha eleitoral se viu cumprido, já que Obama superou amplamente os 270 votos no Colégio Eleitoral necessários para se chegar à Presidência – totalizou 303.

O democrata derrotou assim o candidato republicano e predileto de Wall Street, o homem de negócios e ex-governador Mitt Romney, mas isso não evitou que uma divisão se mantivesse no Congresso do país, já que os republicanos continuaram com a maioria na Câmara dos Representantes, assim como os democratas em relação ao Senado.


Os investidores temem que essa fragmentação complique a tarefa de conseguir um acordo que evite o ”precipício fiscal”, como seriam qualificadas as altas de impostos e cortes de despesa automáticos que entrarão em vigor em janeiro se o Congresso não pactuar pelo equilíbrio das contas do país.

”Se não for obtido a tempo um acordo para prevenir as altas de impostos e cortes de despesa que o precipício fiscal traria e se for repetido o episódio vivido em agosto de 2011 com o limite de dívida, significará que as eleições não resolveram a estagnação política em Washington”, dizia hoje a agência de classificação de risco Fitch.

A agência argumentou assim o ultimato feito ao presidente Obama, a quem advertiu que reduzirá a nota máxima de ”AAA” que ainda outorga à nota da dívida pública dos EUA se não conseguir forjar um acordo a tempo. Já a Moody”s também informou que decidirá se vai diminuir sua nota dos EUA quando forem definidos os orçamentos para 2013.

Não contribuíram para o desenrolar desta jornada pós-eleitoral o alerta do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, sobre a chegada dos efeitos da crise de dívida à Alemanha, além da crucial votação do Parlamento grego sobre as medidas de austeridade para que o país continue a receber ajuda.