Via Varejo à venda, mercado animado

Após meses de rumores, um boato se confirmou: a Via Varejo, que reúne operações das Casas Bahia e Ponto Frio, está à venda. O conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar autorizou nesta quinta-feira a diretoria da empresa a avaliar “alternativas estratégicas envolvendo o seu investimento na Via Varejo”. Investidores parecem empolgados com a possibilidade de venda. As ações preferenciais do Pão de Açúcar subiram 3,4% e as units da Via Varejo, 2,2% nesta sexta-feira.

A venda seria uma maneira do grupo de focar no varejo alimentar que tem se saído melhor durante a crise. Nos primeiros nove meses do ano, o faturamento da Via Varejo e da Cnova (braço de comércio eletrônico do grupo) caiu 11% na comparação com 2015; já no varejo alimentar, a receita cresceu 11%.

Colocar a Via Varejo à venda, para analistas e investidores, é uma estratégia que há muito está sendo planejada pelo Casino. O Casino não tem operações de móveis e eletros em outros países. Cerca de 80% do investimento do GPA nos últimos quatro anos foi na área alimentar. Em agosto, o grupo anunciou que Via Varejo e Cnova iriam combinar seus negócios, já de olho numa possível venda do negócio, segundo executivos do setor. Para juntar as operações, a Via Varejo teve que comprar as operações da Cnova no país por 127 milhões de dólares, pouco mais de 400 milhões de reais. A Cnova, vale lembrar, é uma companhia problemática. Não bastassem os constantes prejuízos, no ano passado sofreu fraudes que provocaram uma redução de 400 milhões de reais em seu patrimônio.

Quem irá comprar a Via Varejo? Há quase três semanas, a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, noticiou que o grupo alemão Steinhoff, gigante do varejo mundial, negocia a compra da participação da família Klein, dona de 27,3% das ações (o Casino tem 43,4%). Com o valor de mercado atual da Via Varejo, um interessado teria que pagar 2,75 bilhões de reais se quisesse negociar com os dois controladores. Vamos ver quem se habilita.