Venda de dólar pode reduzir dívida, mas objetivo é regular mercado, diz BC

Instituição anunciou mudanças na atuação no mercado de câmbio com ofertas diárias de venda de 550 milhões de dólares no mercado à vista

O Banco Central afirmou nesta quinta-feira, 15, que a venda de dólares à vista das reservas internacionais, anunciada na véspera como ferramenta adicional da qual lançará mão para intervenção no câmbio, pode de fato ajudar na redução da dívida bruta, embora esta não tenha sido a motivação para a mudança na atuação.

“A atuação do BC no mercado de câmbio visa a promoção do regular funcionamento do mercado local de câmbio”, disse o BC à Reuters, via assessoria de imprensa.

A autoridade monetária anunciou na noite de quarta-feira, 14, mudanças em sua forma de atuar no mercado de câmbio, com a troca de posição cambial em contratos de swap tradicional por dólares à vista.

De 21 a 29 de agosto, o BC fará ofertas diárias de venda de 550 milhões de dólares no mercado à vista. Simultaneamente, serão ofertados contratos de swap cambial reverso de mesmo valor. Essa será a primeira vez que o BC ofertará dólares das reservas sem compromisso de recompra desde fevereiro de 2009.

Em nota nesta quinta-feira, o BC reconheceu que uma venda definitiva de divisas pelo BC tem efeito de reduzir a liquidez em reais, mas ponderou que seu impacto no estoque de operações compromissadas não é mecânico e depende da evolução dos demais fatores que afetam a liquidez no mercado doméstico.

“Supondo, para fins de argumentação, que se mantenham inalteradas as demais condicionantes da liquidez do mercado, o efeito esperado é de redução do montante de compromissadas do BC para enxugá-la. Como o volume de operações compromissadas compõem a dívida bruta, o efeito nesta também é de redução”, disse o BC.

“Ressalta-se novamente que a atuação do BC no mercado local de câmbio visa a promoção do regular funcionamento do mercado e que o efeito descrito na liquidez do mercado não é motivação para a, mas um efeito não intencional da, atuação”, completou.

Na exposição dos motivos que motivaram a mudança de atuação no câmbio, divulgada na véspera, o BC indicou que os swaps cambiais “muito provavelmente” continuarão sendo seu principal instrumento.

Segundo a autarquia, a venda de dólares à vista chega após diagnóstico de que a menor liquidez do fluxo financeiro deve “perdurar por tempo relativamente mais prolongado, já que seus fatores não devem se reverter no curto prazo”.

“Dessa forma, a atuação mais tradicional, aumentando a oferta de dólares com compromisso de recompra em resposta ao aumento do custo da liquidez em dólares no mercado local, embora siga sendo uma alternativa, talvez não seja a mais indicada para este momento”, diz voto assinado pelo diretor Bruno Serra (Política Monetária) e submetido à diretoria do colegiada da autarquia.

” A atual conjuntura sugere oferecer a alternativa de o mercado trocar alguma parcela do estoque de swaps cambiais por dólar à vista.”