Vencimento traz volatilidade à Bovespa

O mercado externo amanheceu negativo por causa da apreensão diante do leilão de títulos de longo prazo da Espanha

São Paulo – O vencimento do Ibovespa futuro, a cautela na Europa e a ausência de indicadores de peso dos Estados Unidos devem fazer com que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tenha um pregão marcado pela volatilidade hoje, especialmente à tarde. O Ibovespa abriu em queda de 0,15%, aos 62.604,70 pontos.

O mercado externo amanheceu negativo por causa da apreensão diante do leilão de títulos de longo prazo da Espanha, previsto para amanhã. O estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, ressalta a inadimplência crescente na Espanha. “A questão de empréstimo na Espanha mexe com mercados”, afirma, referindo-se a notícia de que o nível de inadimplência superior a três meses de famílias e empresas no país subiu para 8,16% em fevereiro, a 143,82 bilhões de euros, ante um patamar de 7,91% registrado em dezembro. O nível de fevereiro é o maior desde maio de 1994.

Para ele, a agenda esvaziada de indicadores nos Estados Unidos não reverte o pessimismo dos mercados internacionais nesta manhã. Por sua vez, a queda das commodities também é vista como um fator negativo para os negócios locais.

Internamente, porém, hoje também é dia de vencimento de índice Bovespa futuro. Segundo um operador de renda variável, a disputa entre “comprados e vendidos” deve deixar a Bolsa de lado pela manhã, com a volatilidade se intensificando nas últimas três horas do pregão. De acordo com ele, é difícil avaliar se os investidores vão rolar ou zerar os contratos.

Dados atualizados pela BM&FBovespa ontem mostram que um dia antes do vencimento sobre índice futuro os investidores estrangeiros voltaram a ficar “comprados” (aposta na alta), com 3.431 contratos em aberto.

O operador lembra ainda que hoje é dia de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. “Apesar de já estar no preço a redução de 0,75 ponto porcentual, a decisão será acompanhada”, diz, acrescentando que só uma surpresa com corte, de 1pp por exemplo, deve estimular a Bolsa.

Ainda no âmbito dos juros, o Bradesco anunciou nesta manhã a redução dos juros no crédito para pessoas físicas e empresas. O banco também vai ampliar limites de crédito em R$ 21 bilhões para os dois segmentos e bancos de montadoras. Na avaliação de Galdi, “esse movimento vai forçar outros bancos privados a também reduzirem” as suas linhas de financiamento. Ele lembra, porém, que a queda do spread bancário já está precificada na Bolsa.