Veja as ações que mais subiram e caíram em outubro

Marcado por quebras de recorde e eventos positivos para a economia, Ibovespa encerrou o mês com valorização de 2,36%

Outubro foi marcado por euforia no mercado financeiro. Em mês recheado de quebra de recordes, o Ibovespa fechou o período em 107.219,83 pontos, 2,36% acima de setembro. Já o dólar encerrou o mês com desvalorização de 3,5%, o que ajudou a impulsionar as ações de empresas que dependem da moeda americana para efetuar pagamentos. Entre os fatores que colaboraram para o bom desempenho do índice estão a aprovação da reforma da Previdência e avanços nas negociações entre Estados Unidos e China.

Havia forte expectativa sobre o firmamento de um acordo comercial preliminar na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, que seria realizada em novembro, na capital chilena. No entanto, autoridades chinesas já demonstraram dúvida sobre a possibilidade de um acordo de longo prazo e o presidente do Chile, Sebastián Piñera, cancelou o evento devido à onda de protestos no país.

Maiores Altas

Os últimos eventos ajudaram a pressionar índices acionários para baixo, mas foram não foram suficientes para anular as valorizações de outubro. No mês, as ações da Magazine Luiza subiram 20,52% e lideraram as altas do Ibovespa. Parte da valorização da varejista se deu após a divulgação do resultado do terceiro trimestre. No período, a empresa conseguiu dobrar as vendas em plataformas digital e o segmento já representa 48% das vendas totais.

A ação da Raia Drogasil chega ao fim de outubro sendo negociada a 110 reais – preço mais alto desde que a empresa foi listada na Bolsa. Isso só foi possível devido à valorização de 14,81% obtida no mês. Embora a empresa tenha apresentado lucro líquido de 459,3 milhões no terceiro trimestre – 260% superior ao do mesmo período de 2018-, a maior valorização dos papéis da Drogasil ocorreu após a companhia anunciar a abertura de 240 novos estabelecimentos para 2020.

Com parte significativa das despesas de companhias aéreas é em dólar, a queda do preço da moeda americana ajudou as ações da Gol a se valorizarem 13,31% na Bolsa. Nesta quinta-feira (31), porém, a empresa anunciou que espera voltar a utilizar a aeronave Boeing 737 Max, envolvida em dois acidentes no ano passado, o que fez com que suas ações recuassem mais de 5,79% no último pregão do mês. As ações da Azul subiram 5,85% em outubro.

A Sabesp voltou a a ter bom desempenho na bolsa e, em outubro, suas ações se valorizaram 10,26%. Parte do movimento se deu após o projeto de lei que altera o marco do saneamento básico ter sido aprovada em comissão especial na Câmara dos Deputados. Caso aprovado, o texto abre a possibilidade de a companhia ser privatizada.

Em movimento de recuperação, as ações do BTG se valorizaram 11,36% no mês. Em agosto, o papel perdeu 30% do valor em dois dias de pregão, após o banco ter seu nome envolvido em delações no ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci. Desde então, a companhia já se valorizou 39,82% na Bolsa e está próxima de voltar à maior cotação da história do ativo, atingido pouco antes da queda de agosto.

Empresa Triker Desempenho no mês (%) Desempenho no ano (%)
Magazine Luiza MGLU3 20,52 98,73
Raia Drogasil RADL3 14,81 94,36
Qualicorp QUAL3 14,35 184,05
Gol GOLL4 13,31 45,82
Cyrela CYRE3 11,98 79,96
BTG Pactual BPAC11 11,36 189,93
B3 B3SA 10,89 83,98
Intermédica NotreDame GNDI3 10,6 107,29
Petrobras PETR4 10,31 35,31
Sabesp SBSP3 10,26 73,62

Maiores baixas

Após sucessivas altas mensais, as ações da JBS recuaram 13,72% em outubro. O movimento de queda mais acentuado ocorreu no início do mês, próximo de quando os senadores dos Estados Unidos pediram a abertura de uma investigação para apurar se a o frigorífico usou dinheiro de corrupção para adquirir empresas americanas.

Do ramo de educação, a Kroton mudou seu nome para Cogna e reestruturou suas atividades no início de outubro. A medida, no entanto, não agradou os investidores, o que fez a empresa perder 1 bilhão de reais em valor de mercado em poucos dias. Mas não foi só isso. A relação da companhia com seus investidores voltou a azedar na última semana, quando as vendas de livros para o governo federal ficaram abaixo do esperado.

A terceira pior queda de outubro ficou a cargo da Braskem. Este é sétimo mês em que a empresa fecha em baixa. A petroquímica vem tendo um ano difícil. Além  de lucros menores, a empresa vem enfrentando está enfrentando  ações judiciais referentes à operação de extração de sal-gema em Maceió, que podem custar 30 bilhões de reais em indenização. No mês, o papel da Braskem caiu 12,41%.

Empresa Triker Desempenho no mês (%) Desempenho no ano (%)
JBS JBSS3 -13,72 144,12
Cogna COGN3 -13,51 10,28
Braskem BRKM3 -12,41 -39,88
CSN CSNA3 -10,81 43,02
Ambev ABEV3 -9,71 13
CVC CVCB3 -8,27 -16,23
Natura NATU3 -7,97 39,43
BRF BRF3 -7,04 61,92
Usiminas USIM5 -7,04 -19,92
Ramo RAIL3 -6,94 34,12