1 em cada 4 empresas tem ações negociadas a menos de R$ 2

Para defender as cotações dos papéis de uma volatilidade ainda maior e cumprir regras dos índices da Bolsa, as empresas têm se valido do grupamento de ações

São Paulo – Cerca de 90 empresas brasileiras negociadas na BM&FBovespa estão cotadas a menos de R$ 2 – o que representa quase 20% das companhias com ações em Bolsa.

A destruição de valor de mercado é fruto da aversão ao risco por parte de investidores em meio à crise política e econômica que o país atravessa.

Para defender as cotações dos papéis de uma volatilidade ainda maior e cumprir regras dos índices da Bolsa, as empresas têm se valido do grupamento de ações.

Esse movimento, observado desde o ano passado, ficou ainda mais intenso com o ambiente de crise. Recentemente, PDG, Magazine Luiza, Vanguarda Agro, Prumo Logística, CCX e Lupatech lançaram mão dessa alternativa.

Segundo o analista da XP Investimentos, Ricardo Kim, a volatilidade das ações de baixo valor acabam afastando os investidores institucionais, que não desejam tanta oscilação de suas cotas. “Isso atrai mais os investidores os de perfil mais especulativo do que os de longo prazo”, afirma.

Das companhias listadas na bolsa brasileira, há 49 com ações que valem menos de R$ 1, segundo levantamento realizado pela BM&FBovespa a pedido do Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Outras 40 estavam cotadas abaixo de R$ 2 quando foi feito o levantamento, que levou em consideração o fechamento do pregão da última sexta-feira, 25.

Nos índices da bolsa brasileira, incluindo o Ibovespa, não é permitida a presença das “penny stocks”, como são conhecidas as ações que valem centavos.

O analista da Alpes/Wintrade, Bruno Gonçalves, lembra que, ao ser excluída do Ibovespa, por exemplo, a empresa terá sua liquidez reduzida. É por isso que algumas companhias não esperam as ações cederem abaixo de R$ 1 para se movimentar.

Na prática, a empresa consegue deixar de ser uma “penny stock” ao realizar o grupamento de ações, mas esse procedimento pode apenas adiar o problema caso a ação esteja com a cotação baixa por conta de seus fundamentos.

Um exemplo claro é a Lupatech, companhia que está em recuperação judicial. Um dia depois de agrupar 500 ações em uma, ela registrou queda de 42% no pregão.

“Em termos gerais, quando uma empresa anuncia o grupamento depois de uma queda significativa dos preços das ações, abre-se um espaço para as ações caírem ainda mais”, destaca o analista da Guide Investimentos, Rafael Ohmachi, observando que essa situação ocorre nos casos em que os fundamentos da companhia estão sendo questionados pelo mercado, já que o grupamento tem pouca influência sobre isso.

Exceção.

Se por um lado, negociar ações com preços tão baixos expõe as empresas a uma volatilidade maior, por outro, os papéis muito caros são os menos lembrados em momentos de crise, principalmente por investidores de varejo.

Na contramão das “penny stocks”, a Lojas Renner anunciou recentemente o desdobramento dos papéis. Nesse caso, um ação foi dividida em cinco – marcando a única operação de desdobramento entre as empresas brasileiras de capital aberto neste ano.

Para o analista Rafael Ohmachi, da Guide, esse procedimento abre mais espaço para as ações se valorizarem, à medida que passa a permitir que investidores de menor porte comprem esse papel.