Um guia para ganhar com a euforia na bolsa

Alta acumulada do Ibovespa é de 170% desde início de 2016, mas ainda há muitas oportunidades

A bolsa brasileira nunca recebeu tantos pequenos investidores como nos últimos seis meses. Foram 1 900 entrantes por dia, ou 58 000 por mês, engordando o bolo que hoje soma 1,1 milhão de pessoas físicas. Elas detêm 18,3% do total investido na B3.

O movimento vem sendo impulsionado por um pacote de expectativas: a confiança na retomada da economia e na aprovação da reforma da Previdência, abrindo espaço para o ciclo de queda dos juros prosseguir.

Onde estão as melhores oportunidades? E fora da bolsa, o que vale a pena? EXAME ouviu especialistas e dá algumas respostas a seguir.

Mesmo com o otimismo já embutido no preço das ações, analistas acreditam que o bull market — a tendência de valorização do mercado — deve continuar, ainda que com percalços no caminho.

“A aprovação da reforma da Previdência já está no preço da bolsa, mas ainda tem muita coisa positiva por vir, como as privatizações e a reforma tributária”, diz o professor de economia do Insper João Luiz Mascolo.

O segredo é ter visão de longo prazo e resistir aos momentos de baixa, que são dados como certos (basta dizer que o Ibovespa caiu nos quatro pregões posteriores à aprovação da Previdência em primeiro turno na Câmara).

Um erro comum é ignorar os movimentos cíclicos de longa duração. Desde o início de 2016, a bolsa subiu 170%, e deve continuar valorizando.

A projeção menos otimista colhida por EXAME, da XP Investimentos, prevê o Ibovespa em 115 000 pontos no fim de 2019; a mais positiva, da Ativa Investimentos, prevê 125 000 no final do ano. Seria o suficiente para o Ibovespa fechar 2019 em alta de quase 30%.

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Empresas ligadas ao consumo doméstico são apontadas como as primeiras da fila a sentir as benesses de um cenário pós-reforma. Ações de varejo, que já vinham subindo na esteira de expectativas positivas para a economia, são vistas como as de maior potencial de valorização.

Setores cujos negócios dependem da ampliação de investimentos e projetos de infraestrutura, por sua vez, devem demorar um pouco mais para reagir.

Nesse grupo estão ações dos setores elétrico, de logística, concessões e saneamento, condicionados à atração de capital privado e estrangeiro, que deve vir com mais força se o país recuperar o grau de investimento.

A indicação para o investidor mais conservador é alocar de 5% a 10% em ações e o restante em renda fixa; para os mais ousados, até 30% em ações. Para quem já está familiarizado com esse mercado, a recomendação é rebalancear a carteira.

“Deve vender alguns papéis para embolsar um dinheiro e aplicar em algum investimento de renda fixa com liquidez diária, de preferência”, diz Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos.

A bolsa americana é mais uma alternativa para o pequeno investidor.

O índice S&P 500, que reúne 500 ativos cotados na bolsa de Nova York, subiu mais de 17% no primeiro semestre, batendo seguidos recordes, a despeito das tensões comerciais entre os governos de Estados Unidos e China e do risco crescente de uma recessão americana.

Há ainda fundos no Brasil que espelham os índices de Nova York sem a necessidade de o investidor enviar dinheiro para fora ou fazer conversão de moedas — podem ser uma boa aposta.

Esta reportagem é parte de um especial sobre a bolsa brasileira que é capa da edição 1190 da revista EXAME, disponível nas bancas e também em tablets e smartphones

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