Twitter e Google ajudam a prever o comportamento das ações

Pesquisadores mostram como as ferramentas podem refinar as projeções e antecipar oscilações

São Paulo – Da próxima vez em que você decidir operar no mercado de ações, melhor checar seu Twitter primeiro. Enquanto parte do mundo ainda se pergunta que utilidade dar ao microblog hit das redes sociais, pesquisadores americanos defendem que os posts do site podem ajudar a prever as altas e baixas do mercado financeiro.

A pesquisa é da University Bloomington, de Indiana, nos Estados Unidos, e sustenta que o humor dos mais de 160 milhões de usuários do Twitter pode ser um sinal de como o índice Dow Jones (referência da Bolsa de Nova York) vai se comportar com 86,7% de precisão e quatro dias de antecedência. O segredo de tal bola de cristal? A montanha russa emocional dos usuários, dizem os cientistas.

O mapa para o futuro das ações foi descoberto pelos pesquisadores Johan Bollen e Huina Mao como resultado do cruzamento de duas ferramentas de monitoramento de humor, o OpinionFinder e o Google Profile of Mood States. Os cientistas examinaram 9,8 milhões de tweets de 2,7 milhões de perfis aleatórios com as palavras “eu sinto” ou “estou me sentindo” (I feel e I’m feeling), entre março e dezembro de 2008. A surpresa foi grande quando perceberam que o resultado se alinhava com o Dow Jones – com uma antecedência de três ou quatro dias.

“Foi o meu momento Eureka”, disse Mao em entrevista à revista de cultura digital Wired após a divulgação da pesquisa. Para testar o padrão, a dupla de pesquisadores aplicou um algoritmo baseado em dados do mercado, e obteve 73,3% de precisão. Ao adicionar os dados do twittter, a correspondência aumentou para 86,7%. O estudo foi divulgado no dia 18 de outubro.

Comportamento

Que a opinião pública pode refletir no desempenho dos mercados não é nenhuma novidade. Assim como não o são estudos de economia baseado no comportamento de usuários na internet. Um caso recente são as pesquisas para previsão das taxas de desemprego, cujos resultados também foram refinados após cruzamento com informações de buscas do Google.

Conhecido como Índice Google, a metodologia compara a incidência de pesquisas relacionadas a trabalho sobre o total de pesquisas e teve uso bem sucedido na Alemanha e em Israel. Assim como o caso do Twitter e do mercado financeiro, os dados não funcionam sozinhos, mas afiam a precisão dos resultados. “Modelos reforçados com o índice superaram as previsões divulgadas pelo Federal Reserve da Filadélfia”, defendem os economistas Francesco D’amuri e Júri Marcucci, que aplicaram o padrão em estudos sobre o mercado de trabalho americano.

 “Mostramos que a precisão das previsões de desemprego melhorou dramaticamente quando o índice de busca de vagas no Google é utilizado como indicador líder”, defendem os economistas em artigo. “O intenso interesse público em dados de desemprego exige previsões oportunas e precisas. Considerar os dados do Google é uma forma de ajudar a alcançar este objetivo”.

Leia a pesquisa da Universidade de Indiana na íntegra.