Títulos da TAM perdem com fim do entusiasmo após acordo com LAN

Desempenho é fraco porque mercado desconfia que a chilena não vá garantir dívida da aérea brasileira

Nova York – Os títulos da dívida da Tam SA deixaram de acompanhar a disparada no retorno de papéis corporativos brasileiros. O desempenho mais fraco é resultado da redução nas apostas de que a chilena Lan Airlines SA vai garantir a dívida da segunda maior companhia aérea brasileira.

Os títulos em dólar da Tam com cupom 9,5 por cento e vencimento em 2020 deram retorno de 1,3 por cento nos últimos 30 dias, menos do que o avanço de 2,9 por cento das notas corporativas brasileiras, segundo dados compilados pela Bloomberg e pelo JPMorgan Chase & Co. A dívida com vencimento em 10 anos emitida pela concorrente Gol Linhas Aéreas Inteligentes ganhou 3 por cento no período.

O desempenho da Tam é uma reversão da valorização da dívida deflagrada pelo anúncio do dia 13 de agosto de que a Lan, sediada em Santiago, planejava comprar a Tam por US$ 3,8 bilhões num negócio envolvendo apenas ações. Os bônus da Tam com vencimento em 2020 deram retorno de 8,3 por cento, comparado a um ganho de 0,4 por cento na dívida corporativa brasileira nos 30 dias até 13 de setembro, com especulações de que a Lan, empresa com melhor classificação de risco, garantiria os US$ 4,1 bilhões em dívidas da Tam.

“O entusiasmo inicial de que a dívida seria garantida diminuiu em relação ao acordo da Tam”, disse Eric Ollom, estrategista-chefe de mercados emergentes da Jefferies & Co. em Nova York.

A Tam tem classificação de risco B+, quatro níveis abaixo do grau de investimento, pelas agências Standard & Poor’s e Fitch Ratings. A Lan, maior empresa aérea da América Latina por valor de mercado, tem classificação BBB pela Fitch, cinco níveis superior à da Tam.


Exagero na aposta

Mesmo após o diretor financeiro da Tam, Líbano Barroso, dizer em 17 de agosto que a empresa combinada batizada Latam Airlines Group não garantiria a dívida da Tam, operadores de títulos estavam contando com uma garantia implícita das obrigações, disse Juan Cruz, analista de crédito do Barclays Plc em Nova York.

“As pessoas estão apostando que, se a Tam precisar de apoio financeiro, a Lan vai colocar a mão no bolso – eu sou cético”, disse Cruz numa entrevista por telefone. “Os níveis de endividamento da Tam são muito altos. A aposta no apoio implícito é exagerada.”

Fernando de Andrade, tesoureiro da Tam, disse ontem que não há necessidade de a dívida ser garantida.

Segundo e-mail enviado por ele, a empresa está num processo de desalavancagem e acredita que isso vai ser mostrado nos números do terceiro trimestre. Os títulos da empresa vêm se valorizando desde o fim de junho e tiveram desempenho superior ao da maioria dos títulos corporativos brasileiros sem grau de investimento em setembro, disse ele.

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