Títulos Dim Sum atraem bancos brasileiros com menores custos

Criado em 2007 e com nome que faz referência à culinária chinesa, o mercado de títulos denominados em yuans cresceu 13.8 por cento para 173 bilhões de yuans este ano

São Paulo – Os maiores bancos brasileiros estão aumentando seus negócios com a China, fazendo suas primeiras captações no chamado mercado dim sum a custos mais baixos do que com emissões em dólares.

O Banco Bradesco SA, segundo maior banco brasileiro por valor de mercado, captou 300 milhões de yuans (US$ 48 milhões) com a emissão de títulos de dois anos em 29 de novembro com rendimento de 3,9 por cento. Foi sua primeira captação no mercado de dívida em yuan em uma oferta privada.

O Bradesco pagaria uma taxa de cerca de 1,42 por cento após a conversão dos papéis para dólares, segundo dados compilados pela Bloomberg. O rendimento é 0,9 ponto percentual menor do que pagam seus títulos em dólares que vencem em 2015.

No mesmo dia da emissão do Bradesco, o BTG Pactual SA captou 107 milhões de yuans em títulos de um ano com cupom de 3,5 por cento, também em uma oferta privada. A China é a segunda maior economia do mundo e maior parceiro comercial do Brasil.

O Banco do Brasil SA foi a primeira instituição brasileira a acessar o mercado dim sum, com a captação de mais de 1 bilhões de yuans em pelo menos seis transações desde julho. Os bancos brasileiros estão seguindo o exemplo de emissores como o grupo do bilionário mexicano Carlos Slim e a Caterpillar Inc.

Criado em 2007 e com nome que faz referência à culinária chinesa, o mercado de títulos denominados em yuans cresceu 13.8 por cento para 173 bilhões de yuans este ano. Os títulos dim sum se valorizaram em novembro pelo sexto mês consecutivo em meio à recuperação da economia da China e à expectativa de que novos líderes do país abram mais o mercado local.

“A China é importante para o Brasil e muitos bancos querem mostrar que estão se posicionando e diversificando suas fontes de financiamento com investidores asiáticos”, disse Rodrigo Gonzalez, diretor para mercados de capital da América Latina no Standard Chartered Bank, em Nova York. O Standard Chartered foi o coordenador líder da emissão do BTG. “Esse mercado está em constante desenvolvimento e agora bancos podem acessar essa moeda a níveis estáveis e talvez dentro do que fariam em dólares.”