Título da Marfrig dispara após resultado operacional surpreender

A segunda maior processadora de carne bovina da América Latina surpreendeu analistas e investidores ao anunciar que seus resultados operacionais dobraram no trimestre

Nova York – A Marfrig Alimentos SA registrou a maior alta em seus papéis no mercado de dívida esta semana. A segunda maior processadora de carne bovina da América Latina surpreendeu analistas e investidores ao anunciar que seus resultados operacionais dobraram no terceiro trimestre.

O rendimento dos títulos da Marfrig em dólar com vencimento em 2018 caiu 140 pontos-base, para 15 por cento desde 11 de novembro, segundo dados da Bloomberg, elevando o preço dos papéis. O custo da dívida de empresas de alimentos, bebidas e cigarros consideradas “junk bonds” caiu 6 pontos-base no mesmo período, ou 0,06 ponto percentual, para 8,27 por cento, segundo dados do Bank of America Corp.

A companhia disse em 11 de novembro que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização saltou para R$ 638 milhões no terceiro trimestre, em comparação a uma expectativa média de R$ 311,4 milhões de analistas consultados pela Bloomberg.

“A Marfrig se recuperou muito bem, e eles apresentaram um resultado muito bom, um resultado surpreendente na semana passada”, disse Klaus Spielkamp, operador de renda fixa da Bulltick Capital Markets, em Miami. “Isso me deu muito mais confiança de que, tudo bem, agora o mercado está mesmo olhando para os números.”

Recuperação

A recuperação da Marfrig ocorre dois meses após seus papeis terem adquirido status de mais arriscados entre os títulos corporativos do país, influenciados pela venda generalizada de ativos no mundo e por restrições para a importação de carne por parte da Rússia. O rendimento dos títulos da empresa afundou 441 pontos-base, ou 4,11 pontos percentuais, em relação ao recorde de 19,41 por cento, em 4 de outubro.

Os papéis da empresa sediada em São Paulo pagam 1.180 pontos-base a mais do que a dívida do governo brasileiro com vencimento em 2019. Há uma semana, a diferença estava em 1.299, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. A taxa dos títulos de 2016 da Tyson Foods Inc., maior frigorífico dos Estados Unidos, recuou 1 ponto-base na última semana, para 4,69 por cento.

A Marfrig disse em 11 de novembro que o Ebitda subiu em relação aos R$ 237 milhões registrados um ano antes, puxado pela venda de produtos processados. A disparada ajudou a colocar em segundo plano os receios em relação ao prejuízo de R$ 540 milhões causado pela despesa financeira de R$ 1,36 bilhão, após a desvalorização do real levar a um aumento do custo da dívida em moeda estrangeira. O real caiu 17 por cento em relação ao dólar no terceiro trimestre.

‘Bom desempenho’

“Entendemos que o bom desempenho dos nossos papéis reflete nossa receita líquida recorde e as diversas ações que resultaram em ganhos operacionais no terceiro trimestre”, disse Ricardo Florence, diretor de relações com investidores e planejamento da Marfrig, em resposta por e-mail a perguntas da reportagem. “Os resultados deste trimestre demonstraram nossa capacidade de integrar esforços nas divisões de forma a transformar sinergias em geração de caixa na operação.


A ação da Marfrig subiu 21 por cento desde 10 de novembro, reduzindo a perda registrada este ano para 51 por cento.

A diversificação da produção da Marfrig e as iniciativas de redução de custos tornam os títulos atraentes, disse Ruth Mazzoni, analista de dívida do Standard Bank em Nova York.

Unidade Keystone

A companhia acertou a venda da unidade de distribuição nos EUA e Europa por US$ 400 milhões para fortalecer o caixa, de acordo com comunicado enviado por e-mail em 18 de setembro. A divisão antes pertencia à Keystone Foods Holdings LLC, que a Marfrig comprou em 2010 por US$ 1,26 bilhão.

“Algumas das medidas de controle de custos estão surtindo efeito e eles estão reconciliando as operações”, disse Mazzoni em entrevista por telefone de Nova York. “Até aqui eles demonstraram que parece estar funcionando.”

A nota da dívida soberana do Brasil foi elevada ontem em um nível pela Standard & Poor’s, acompanhando decisão similar tomada pela Moody’s Investors Service neste ano, diante do efeito das políticas fiscal e monetária de aumentar a capacidade de sustentação do crescimento econômico.

A S&P elevou o rating da dívida brasileira em moeda estrangeira de “BBB-” para “BBB”, segunda nota mais baixa na escala de grau de investimento. A perspectiva para a nota é estável. O Brasil foi elevado para “Baa2” pela Moody’s em junho, nível equivalente ao rating da S&P, e para “BBB” pela Fitch Ratings, em abril.