Tesouro prioriza curva em reais no exterior

De acordo com Valle, além da criação dos benchmarks em reais, o Tesouro pretende dar mais liquidez aos benchmarks em dólares de 10 e 30 anos

Brasília – A prioridade do Tesouro neste ano é a construção da curva em reais no mercado externo para emissão de dívida, com a possível criação de benchmarks entre 10 e 30 anos, disse nesta sexta-feira Paulo Valle, subsecretário de Dívida Pública do Tesouro.

“Queremos consolidar a curva em reais no mercado externo para aumentarmos a base de investidores na dívida pública e fomentar este mercado para as empresas nacionais, tendo em vista a redução de risco dos emissores ao deverem na sua própria moeda”, afirmou Valle no chat do Trading Brazil, comunidade da Thomson Reuters para o mercado financeiro.

“A nossa prioridade será a construção da curva em reais no mercado externo.”

De acordo com Valle, além da criação dos benchmarks em reais, o Tesouro pretende dar mais liquidez aos benchmarks em dólares de 10 e 30 anos. O programa de recompra será mantido.

O Tesouro já havia declarado no ano passado que, após aumentar a taxação sobre as aplicações de estrangeiros na dívida interna, as emissões externas em reais ganhariam mais importância. Assim, o governo diminuiria a entrada de capital e a consequente valorização do real.

A demanda por títulos de longo prazo não foi afetada, segundo ele, pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital para renda fixa.

“Houve uma redução de entrada, mas não houve saída, mantendo a participação estável em torno de 10 por cento. A medida do IOF teve como objetivo reduzir o capital de curto prazo e atingiu o seu objetivo. Quanto ao de longo prazo, creio (que) continuaremos tendo demanda”, afirmou.

De acordo com Valle, a substituição das NTN-Fs para 2015 por LTNs para 2015 no cronograma de leilões deste mês ocorreu para capturar uma “demanda maior”, visto “que o mercado prefere a LTN por sua simplicidade vis à vis a NTN-F, que tem cupom.”

Ele negou que a troca tenha acontecido devido a uma redução da demanda por estrangeiros após o IOF. “A NTN-F de ‘3 anos’, isto é 2015, já tinha uma demanda prioritariamente de investidores locais.”

Valle disse também que o Tesouro cumpriu o resultado do Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2010 “com louvor”. Os resultados devem ser comentados na semana que vem pelo secretário Arno Augustin, acrescentou, e até o fim do mês o PAF de 2011 deve ser detalhado pelo governo.