Tesouro fará emissão em real no exterior este ano, diz Augustin

Governo tenta conter valorização de 38% do real, que vem subindo desde o início de 2009

Brasília – O governo brasileiro vai emitir títulos denominados em real no mercado internacional este ano e estuda novas ofertas desses papéis com prazos de 10 e 30 anos, disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

As emissões em moeda brasileira no exterior são parte dos esforços do governo para conter a valorização de 38 por cento do real desde o início de 2009, disse Augustin em entrevista hoje em Brasília. Para aumentar a liquidez dos papéis, o Tesouro pode incluir títulos em reais antigos no programa de recompra.

“Objetivo qualitativo relevante no nosso plano de 2011 é que o nosso programa externo auxilie nossa política cambial”, disse Augustin. “Estaremos voltados para dar liquidez aos títulos em reais.”

O Tesouro também planeja emitir mais títulos em dólares no exterior este ano, disse ele.

“Temos estratégia de aumentar a liquidez, tanto em reais quanto em dólar, mas principalmente em reais”, disse Augustin.

Os títulos do Tesouro denominados em reais, com vencimento em 2028, caíram desde sua reabertura em 20 de outubro.

Segundo Siobhan Morden, estrategista-chefe para América Latina do RBS Securities Inc., essa foi a resposta dos investidores à perspectiva de o governo aumentar a emissão de títulos em reais no exterior após dificultar a entrada de investidores estrangeiros no mercado doméstico ao elevar o Imposto sobre Operações Financeiras.

“O Tesouro percebeu que muitos investidores não querem investir em reais no Brasil por causa do IOF”, disse Morden, em entrevista por telefone, de Stamford, Connecticut. “Só vale a pena investir em títulos no Brasil, com vencimento de dez anos, se o estrangeiro ficar pelo menos três anos com o papel.”

A taxa de retorno para o investidor no Global 2028 elevou- se 106 pontos-base, ou 1,06 ponto percentual, desde que o governo fez a reabertura desse título em 20 de outubro de 2010. A comparação é com o lançamento do papel, em 2007. A yield estava em 9,82 por cento ao ano às 16h49, de acordo com dados da Bloomberg.