Ternium compra da Previ 51,4 mi de ações ON da Usiminas

Papéis correspondem a cerca de 10% das ações com direito a voto da usina mineira

São Paulo – A já conturbada briga entre Ternium e Nippon, acionistas controladoras da Usiminas, acaba de ganhar mais um capítulo nesta quinta-feira, 2.

A companhia argentina acaba de anunciar que firmou acordo com a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, para a compra de 51,4 milhões de ações ordinárias da Usiminas, o correspondente a cerca de 10% das ações com direito a voto da usina mineira.

Com essa aquisição, o grupo T/T, formado pela Ternium, Siderar e Confab, passará a deter 38% das ações ordinárias da Usiminas.

“Durante a vigência do acordo de acionistas da Usiminas, a Ternium será obrigada a votar tais ações de acordo com as decisões do grupo de controle da Usiminas”, segundo comunicado enviado à imprensa.

A aquisição foi firmada hoje à tarde, apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

A Ternium irá desembolsar R$ 616,7 milhões pela aquisição das ações. O preço por ação foi de R$ 12, representando, assim, um prêmio de aproximadamente 42% sobre o preço médio em dólares das ações ordinárias da Usiminas nos últimos seis meses.

A ação encerrou o pregão de hoje cotada em R$ 6,60.

O grupo da japonesa Nippon Steel tem cerca de 30% das ações ordinárias da Usiminas, enquanto a Caixa dos Empregados possui 6,75%.

Uma fonte próxima da Ternium disse ao Broadcast que o grupo Techint tem muita confiança no potencial da Usiminas e que trabalhará para “seguir com o projeto de reconstrução da companhia”, destacou.

“Esse é um passo (a compra das ações) que mostra confiança no projeto”, disse. No entanto, a fonte destacou que a Ternium não tem interesse de romper relações com o bloco de controle da companhia mineira.

Para amanhã à tarde, a Ternium aguarda uma decisão da Justiça sobre um agravo de instrumento impetrado na Justiça mineira. A ação judicial tenta na segunda instância reverter a destituição de três diretores da Usiminas, incluindo o presidente, Julian Eguren.

A companhia argentina está apostando nessa decisão, que, se favorável ao seu pleito, funcionará para reempossar os executivos afastados na semana passada.

A alegação da Nippon Steel, sócia da Ternium na siderúrgica mineira, foi de que auditorias apontaram o recebimento de bônus irregular pelos executivos, o que teria gerado prejuízos à companhia.

A empresa argentina, por sua vez, argumenta que a decisão do conselho não é válida, já que o acordo de acionistas prevê que, tanto para a escolha do presidente, quanto para a sua destituição, é necessário consenso.

A destituição foi aprovada em reunião na semana passada que rachou o conselho da Usiminas. Após empate, o presidente do conselho, Paulo Penido, teve o voto de Minerva e aprovou a destituição.