Tenda vê equívoco de bancos em relatórios, mas ações voltam a despencar

Papéis recuaram quase 70% em agosto e continuam caindo mesmo após esclarecimento da construtora

O comunicado ao mercado divulgado nesta quinta-feira (28/8) pela construtora Tenda não impediu que as ações da companhia voltassem a despencar. Às 12h52, os papéis (TEND3) caíam 17,25%, para 3,31 reais, depois de já terem recuado mais de 45% nos dois últimos pregões. No mês, a desvalorização chega a quase 70%.

A construtora afirma que não há fatos específicos de conhecimento da empresa e ainda não divulgados que possam estar provocando a queda. Supõe-se que (as quedas) possam ter decorrido de conclusões extraídas pelo mercado – sem responsabilidade da administração – de comentários feitos pela companhia em apresentação pública realizada no dia 26 do corrente, relativos ao cenário macro-econômico atual, de conhecimento geral, inclusive quanto ao andamento de processos de financiamento a construção imobiliária”, diz a Tenda no comunicado.

Ontem, os bancos de investimento Goldman Sachs e Credit Suisse divulgaram relatórios destacando que a empresa deverá enfrentar dificuldades nos próximos meses para financiar seus projetos.

O Credit Suisse ressaltou que a Tenda terá de recorrer à emissão de debêntures, um mercado mais caro e restrito que o financiamento para a construção atrelado à taxa referencial. Além disso, a instituição afirma que a capacidade da empresa de entregas atualmente é de 200 unidades por mês, um número muito baixo para quem lançou quase 40 mil unidades nos últimos 18 meses.

A Tenda rebate a informação do Credit Suisse afirmando que os analistas “equivocaram-se ao entender o número de unidades (média mensal de 200) já entregues pela companhia no primeiro semestre do corrente ano como sendo relativo à capacidade de entrega futura de unidades, dados futuros esses não comentados pela administração”.

Mas não é de hoje que o mercado está receoso com a empresa. A divulgação de resultados, no dia 13 de agosto, decepcionou os investidores. A margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda) ficou em 17% – 15 pontos percentuais acima da registrada no segundo trimestre de 2007, mas abaixo da média de 20% projetada pelo mercado. Com esse resultado, segundo Eduardo Silveira, analista da corretora Fator, a empresa provavelmente não conseguirá atingir sua meta, que é de 25% de margem Ebitda em 2008.

Esses fatores fizeram com que o Goldman Sachs retirasse sua recomendação de compra para os papéis da companhia.