Tenda: a seca de IPOs continua

A semana começou com a promessa de destravar a segunda abertura de capital (IPO) em 2016. Seria um alívio e uma indicação de tempos melhores para a bolsa a partir de 2017 – nos últimos dois anos, apenas duas empresas ofertaram suas ações ao mercado. Mas a construtora Gafisa anunciou que cancelou o IPO de sua controlada Tenda por não haver demanda suficiente para comprar os papéis dentro da faixa que a companhia queria, entre 12,50 e 16,50 reais. A saída foi fechar a venda de até 30% para a gestora americana de investimentos imobiliários Jaguar Real Estate pelo preço de… 8,13 reais por ação.

A falta de interesse pelos papeis na Tenda exemplifica bem como os investidores estão mais seletivos e receosos com as companhias brasileiras em meio à crise (política e econômica) que assola o país. O setor de construção, por exemplo, que teve um boom de IPOs milionários nos anos de 2006 e 2007 agora é um dos que mais sofre – em um cenário de crédito restrito e demanda fraca. Especialistas acreditam que o setor deve voltar a crescer, timidamente, apenas em 2018.

O IPO da empresa de diagnósticos Alliar, no fim de outubro, foi visto como bem sucedido após levantar 766,3 milhões de reais. O problema é que desde então as ações da companhia já caíram 25%.

O presidente da BM&FBovespa disse em entrevistas que espera de 20 a 25 IPOs para o próximo de ano. Algumas empresas de sua lista, com negócios mais resilientes à crise, podem chamar a atenção do mercado, mas o investidor parece não estar disposto a injetar dinheiro em qualquer negócio. O recorde de 64 IPOs em 2007 deve ficar só na lembrança por muito tempo.