Taxas futuras têm viés de baixa, em linha com dólar

Os ativos domésticos iniciaram a sessão realizando lucros após a arrancada da véspera

São Paulo – O dólar à vista é negociado em baixa ante o real, o que instiga um ligeiro “fechamento” das taxas de juros futuros, em um movimento também alinhado à queda do juro dos Treasuries no exterior.

Os ativos domésticos iniciaram a sessão realizando lucros após a arrancada da véspera, mas ainda estão sob impacto da decisão e da sinalização do Federal Reserve, na quarta-feira, e dos números da pesquisa Datafolha divulgada nesta madrugada.

Além disso, as prévias de inflação no País em setembro, apontadas pelo IGP-M e pelo IPCA-15, mostraram aceleração na alta dos preços, em relação aos resultados imediatamente anteriores.

Por volta das 9h25, na BM&FBovespa, o DI para janeiro de 2016 tinha taxa de 11,61%, de 11,63% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2017 projetava taxa de 11,71%, na mínima, de 11,75% no ajuste da véspera; e o DI para janeiro de 2021 estava em 11,48%, de 11,55% no ajuste anterior.

No Brasil, os investidores digerem o Datafolha, que desatou o empate técnico apontado no levantamento anterior e mostrou liderança da presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno das eleições, com sete pontos de vantagem sobre a principal adversária, Marina Silva (PSB). Já no segundo turno, a situação segue tecnicamente empatada, com vantagem cada vez menor da ex-senadora contra a petista.

Porém, especialistas lembram que ontem os negócios locais já operavam em meio às expectativas pelos números sobre a corrida presidencial, o que garantiu o oitavo avanço em nove sessões do dólar no balcão, atingindo o maior nível em sete meses e influenciando também no avanço das taxas dos DIs.

Segundo o Datafolha, a candidata à reeleição oscilou em alta, enquanto a ex-senadora caiu três pontos porcentuais, com a diferença entre elas na primeira rodada do pleito saindo de um empate técnico e subindo para sete pontos de vantagem de Dilma, com 37% contra 30%. O candidato do PSDB, Aécio Neves, por sua vez, oscilou em alta, passando de 15% para 17%.

Em uma simulação de segundo turno, porém, persiste a situação de empate técnico, com a vantagem de Marina contra Dilma, que já chegou a 10 pontos porcentuais ao final de agosto, caindo agora para apenas dois: 46% a 44%. A pesquisa foi feita entre os dias 17 e 18 de setembro e a margem de erro é de dois pontos porcentuais.

Na agenda doméstica do dia, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,31% na segunda prévia de setembro, ante recuo de 0,35% em igual leitura do mesmo índice em agosto e de alta de 0,26% na primeira prévia do indicador neste mês.

O resultado, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam taxa entre 0,29% e 0,45%, e ligeiramente abaixo da mediana esperado, em +0,33%.

Há pouco, o IBGE informou que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) subiu 0,39% em setembro, acelerando-se da alta de 0,14% em agosto.

O resultado superou o teto do intervalo das estimativas coletadas pelo AE Projeções, que iam de 0,25% a 0,38%, com mediana de 0,34%. Conforme o instituto, os preços dos alimentos saíram da deflação e deram uma contribuição de 0,07 ponto porcentual no resultado geral.

Já os mercados internacionais respiram aliviados nesta manhã com a rejeição da Escócia à separação do Reino Unido. O movimento contrário à independência do país conseguiu apoio de 55,3% dos eleitores, ou pouco mais de 2 milhões de votos, dos cerca de 1,8 milhão necessários para a vitória na consulta pública.

Já o grupo pela independência e que defendia o “sim” nas urnas obteve 44,7% dos votos, ou pouco mais de 1,6 milhão de eleitores.

Ainda por volta do horário acima, a Bolsa de Londres subia 0,62% e a de Frankfurt crescia 0,17%. Em Nova York, o juro da T-note de 10 anos estava em 2,607%, na mínima, de 2,626% no fim da tarde de ontem.