Suzano migra ao Novo Mercado de olho em listagem em Nova York

Com a entrada no novo mercado, a companhia ganha qualificação para aderir à listagem de ADR em Nova York

São Paulo — De olho em novas oportunidades, a Suzano Papel e Celulose migrou, nesta sexta-feira, para o Novo Mercado – mais alto nível de governança corporativa da Bolsa.

A migração, que foi aprovada por unanimidade pelos acionistas, se deu por meio da conversão da totalidade das ações preferenciais de emissão da empresa em ações ordinárias, na proporção de uma ação preferencial, classes A ou B, para cada uma ação ordinária.

A migração ocorreu sem diluição dos acionistas minoritários ou pagamento de prêmio ao controlador. Após a conclusão da operação, os controladores passam a ter 56,7% das ações e o free float fica em aproximadamente 42% das ações ordinárias – há 1,3% de ações em tesouraria.

“Acreditamos na criação e no compartilhamento de valor e temos certeza que essa migração trará ótimos frutos para a empresa. A migração simboliza uma nova fase da companhia, afirmou  David Feffer, Presidente da Suzano Holding e do Conselho de Administração da Suzano Papel e Celulose, em evento na B3, na manhã de hoje.

Em entrevista exclusiva ao site EXAME, David Feffer, falou sobre a migração, sobre os planos da companhia e sobre o que investidor pode esperar para o próximo ano, ano eleitoral. Confira:

EXAME.com- O senhor acredita que a migração para o Novo Mercado é um movimento natural das companhias diante do cenário político e econômico que o país enfrenta nos últimos anos?

David Feffer – Não. A entrada no Novo Mercado é um movimento de ‘evolução’ das companhias brasileiras para os mais altos níveis de governança. Estamos felizes por anunciar esse importante avanço da Suzano Papel e Celulose, que reforça nossa crença no Brasil e nosso compromisso de longo prazo com o País. A entrada no Novo Mercado da B3 está sendo feita a partir da conversão da totalidade das ações preferenciais em ações ordinárias, na proporção de uma ação preferencial para cada uma ação ordinária, o que é uma importante demonstração de confiança em relação ao futuro da companhia. Poucas empresas adotam essa prática de unificação das classes de ações, convertendo cada ação preferencial por uma ordinária. Decidimos fazer esse movimento sem diluição dos minoritários e sem pagamento de prêmio ao controlador. A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pela Assembleia de Acionistas por unanimidade dos votantes, como demonstração da nossa confiança na empresa, no mercado de papel e celulose e no País. A entrada no Novo Mercado atesta que estamos preparados para novos ciclos de crescimento, com bases ainda mais sólidas de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

EXAME.com – O Novo Mercado é uma maneira de “proteger” o investidor e até mesmo a companhia após os escândalos envolvendo grandes empresas, empresas de capital aberto e empresários?

David Feffer – Estar listada entre as empresas do Brasil que adotam o mais alto nível de Governança Corporativa é um sinal claro de transparência e ética nos negócios. Esses são pontos que sempre fizeram parte da essência da Suzano Papel e Celulose e que, hoje, ficam ainda mais evidentes ao mercado. Estar no Novo Mercado atrai novos investidores e permite que a companhia mantenha a sua trajetória de crescimento sólido tendo ao lado outras empresas que adotam as melhores práticas de governança. Além de ganho de liquidez, a migração também traz equidade entre os acionistas, garantindo a todos o direito a voto nas decisões da companhia e permissão de venda conjunta (tag along) em caso de transferência de controle.

EXAME.com – Alcançar o nível máximo de governança é uma questão estratégica para a Suzano? Pensando na possibilidade de atrair investidores estrangeiros e até mesmo facilitar o surgimento de novos negócios?

David Feffer – Sim, sem dúvida. A migração para o Novo Mercado é parte da nossa estratégia de negócio e de crescimento. No novo nível no qual estamos listados, também ganhamos qualificação para aderirmos à listagem de ADRs na Bolsa de Nova York, um mercado importante e que movimenta bilhões de dólares todos os anos. A atração de mais investidores e a geração de caixa para o negócio são movimentos que nos ajudarão a expandir ainda mais os negócios da Suzano Papel e Celulose.

EXAME.com – Em meados de agosto, os rumores sobre uma possível fusão entre a Suzano e a Fibria voltaram à cena, causando alvoroço no mercado, que deslumbra uma gigante no setor.  Na época, Walter Schalka, em teleconferência com investidores, afirmou que a fusão gera valor e era uma alternativa que pode ser pensada para o futuro. Gostaria que o senhor comentasse sobre os rumores de fusão com a Fibria.

David Feffer – Não comento especulações de mercado. O que sempre falamos é que a consolidação é uma das possíveis formas para a criação de valor para diversas companhias de diversos setores, incluindo o nosso.

EXAME.com- Ao anunciar a intenção de migrar para o Novo Mercado, o senhor afirmou que a iniciativa era uma “demonstração de que a companhia está preparada para novos ciclos de crescimento” A companhia deve anunciar, após a migração, um plano estratégico. Gostaria que o senhor comentasse sobre o assunto.

David Feffer – A Suzano Papel e Celulose trabalha com foco na crescente robustez financeira, na busca contínua por retornos maiores e mais estáveis e na aproximação com os clientes finais. Com a entrada no Novo Mercado atingimos níveis ainda mais elevados de Governança Corporativa e preparamos a empresa para novos saltos de crescimento e de expansão. Nossa estratégia se baseia em quatro critérios para a alocação de capital: Retorno sobre capital investido, escalabilidade para representatividade, vantagem competitiva sustentável e difícil replicabilidade. Todos os investimentos da Suzano atendem a esses quatro critérios e focam em inovação como, por exemplo, a entrada nos segmentos de Tissue, Lignina e Fluff.

EXAME.com- No último balanço divulgado, a Suzano reportou um aumento de mais de 15% no lucro líquido (Lucro de R$ 801 milhões de reais). Um dos motivos do bom desempenho da companhia no trimestre foi o aumento do preço da celulose em dólares. Já o outro foi reduzir o endividamento. Gostaria que senhor comentasse o esforço da companhia durante o ano para que a alavancagem da empresa ficasse no que em um patamar saudável.

David Feffer – Somos inovadores em produtos e no modelo de negócios. Temos também uma gestão de riscos conservadora e que privilegia o caixa, o que é muito bom para o sucesso e a saúde financeira de qualquer empresa. Ou seja, casamos os fluxos de dólares que recebemos das exportações com os pagamentos de dívidas contraídas em dólar. Nós contratamos dívida em moeda estrangeira como hedge natural, uma vez que a geração de caixa operacional líquida é quase toda em moeda estrangeira. Essa exposição estrutural permite que a companhia contrate financiamentos de exportações em dólares e concilie os pagamentos dos financiamentos com o fluxo de recebimento das vendas. Em 2017, demonstramos ativamente nosso compromisso de desalavancar a companhia, buscando estruturas e custos adequados ao nosso posicionamento de mercado e em sintonia com nossa capacidade operacional e gerencial.

EXAME.com- Nos últimos anos, um dos investimentos anunciados pela Suzano foi a produção de papel tissue (para fins sanitários). Uma das unidades já está em funcionamento e a outra entrará ainda este ano. Gostaria que o senhor comentasse a estratégia e a expectativa da companhia neste mercado.

David Feffer – O segmento de Tissue é uma oportunidade estratégica. O Brasil está abaixo da média de consumo de Tissue da América Latina, o que possibilita um alto potencial de crescimento nesse negócio. Duas de nossas unidades fabris irão produzir produtos Tissue: Imperatriz (MA) e Mucuri (BA). Essas fábricas receberão R$ 540 milhões de investimento.

EXAME.com -A corrida eleitoral no próximo ano deve, novamente – assim como em 2014-, movimentar a Bolsa de Valores e o câmbio. Historicamente, as ações da companhia são impactadas pela volatilidade do dólar. Diante deste cenário (eleição 2018), qual estratégia que a companhia deve adotar para não sofrer tanto no mercado acionário?

David Feffer – Temos notado que nos últimos meses a recuperação da economia brasileira tem se descolado das notícias políticas. A estratégia da companhia foca em ações para geração de vantagem competitiva sustentável (natural owner), ganhos contínuos de eficiência, novas alternativas de diversificação para redução da volatilidade e maior proximidade com clientes finais (desintermediação). Acreditamos que a implementação bem-sucedida dessa estratégia nos deixa mais bem preparados para eventuais variações de mercado.