Síria impõe pressão, mas dólar recua 0,71%

O dólar fechou em baixa de 0,71% ante o real no mercado de balcão, cotado a R$ 2,3710

São Paulo – Um fator novo influenciou os negócios em todo o mundo nesta terça-feira, 27: a possibilidade de os Estados Unidos e países da Europa atacarem a Síria, após denúncias de uso de armas químicas pelo regime sírio.

Isso se traduziu, pela manhã, na busca por ativos mais seguros, o que impulsionou o dólar ante diversas divisas de países emergentes, como o real. À tarde, porém, o cenário mudou no Brasil por causa de fatores técnicos e o dólar fechou em baixa de 0,71% ante o real no mercado de balcão, cotado a R$ 2,3710.

A volatilidade foi considerável. Da máxima de R$ 2,4150 (+1,31%), registrada às 9h32, para a mínima de R$ 2,3640 (-1,01%), vista às 15h21, a moeda dos EUA oscilou R$ 0,05, ou -2,11%. Esta mudança de tendência, à tarde, aconteceu apesar de, no exterior, o dólar norte-americano continuar sustentando ganhos ante divisas como os pesos mexicano e chileno e o dólar australiano.

Operadores ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, citaram motivos diferentes para que a moeda americana perdesse força por aqui. Alguns lembraram que, pela manhã, houve pressão de alta para o dólar até o horário de formação da Ptax – uma vez que, na sexta-feira, 30, será determinada a taxa que servirá de parâmetro para liquidação dos contratos derivativos de setembro.

Como houve pressão de compra de moeda pela manhã, à tarde, passada a formação da Ptax do dia, o dólar começou a oscilar com mais “liberdade” e muitos investidores passaram a vender moeda.

“Estrangeiros e fundos de investimento também se movimentaram para reduzir suas posições compradas (de aposta de alta da moeda) no mercado futuro”, afirmou o gerente de Câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa. Isso, de acordo com Corrêa, pode ter determinado o viés de baixa.


Outros operadores consultados disseram que um fluxo de entrada de moeda no País pode ter justificado o movimento de recuo do dólar visto à tarde, mas eles não souberam identificar uma operação específica. Alguns citaram, no entanto, que continuaram a circular pelas mesas de operação comentários de que o Banco Central (BC) pode, se for preciso, vender moeda no mercado à vista, em complemento à estratégia, anunciada na semana passada, de leilões diários de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro, de segunda a quinta-feira) e de linha (venda de moeda com compromisso de recompra, sempre às sextas-feiras).

Nesta terça-feira, aliás, o BC vendeu todos os 10 mil contratos de swap cambial para 2 de dezembro de 2013, numa operação de US$ 498,1 milhões. Além disso, confirmou que nesta quarta-feira, 28, haverá novo leilão de swaps, também no montante de 10 mil contratos, e anunciou que rolará os 135,3 mil contratos de swap que vencerão em outubro. Com a colocação de mais contratos de swap e a rolagem dos que vencerão, o BC assegura a liquidez no mercado futuro – foco mais recente de especulação.

“O swap não tem a mesma eficácia do dólar à vista, só que o BC está entupindo o mercado com este derivativo. Isso acaba contendo o dólar em função do volume, do tamanho das operações”, afirmou o economista Waldir Kiel, da corretora H. Commcor. Às 17h11, o dólar para setembro tinha baixa de 0,36%, a R$ 2,3750.