‘Short selling’, uma técnica especulativa que dispara a volatilidade

Operação permite aos operadores vender títulos emprestados ou que ainda não possuem com a esperança de voltar a comprá-los depois a um preço menor e embolsar a diferença

Paris – A venda a descoberto (“short selling”), proibida parcialmente em alguns países europeus, é uma operação especulativa que permite aos operadores vender títulos que pediram emprestado ou que ainda não possuem com a esperança de voltar a comprá-los depois a um preço menor e embolsar a diferença.

Há dois tipos de venda a descoberto:

No primeiro, o operador pede emprestado um título que considera que vai ter seu valor reduzido no mercado, e o vende imediatamente. O objetivo é voltar a comprá-lo depois a um preço inferior, para devolvê-lo a quem o havia emprestado e ganhar a diferença resultante.

Na segunda prática, o operador vende um título, com um pagamento diferenciado, antes inclusive de pedi-lo emprestado. Mais à frente, ele adquire esse título no mercado a um preço muito baixo e o entrega a seu comprador inicial, ficando com a diferença se o título se desvalorizar.

Assim, uma ação que é vendida a 10 euros e volta a ser comprada quando o preço cai a 8, permite ganhar dois euros (descontados os juros).

Essas operações são realizadas por fundos independentes de bancos, muitos deles anglo-saxões. Considera-se que estas práticas precipitam a queda das ações mais frágeis e agravam a instabilidade dos mercados financeiros.

Alguns países, como a Suíça, as proíbem, tanto no mercado de ações como no de obrigações.

Vários outros as proibiram durante a crise financeira de 2008-2009.

França, Itália, Espanha e Bélgica decidiram na quinta-feira restringir as operações de compras a descoberto, para lutar contra os “falsos rumores” que desestabilizam os mercados, no momento em que circulavam todos os tipos de rumores, em particular sobre bancos franceses.

O governo alemão, que proíbe desde 2008 as vendas a descoberto de curto prazo, comemorou essa decisão, e propôs proibi-las em todas as suas formas em toda a União Europeia.

O Reino Unido, entretanto, indicou que não planeja tomar medidas desse tipo.