Semana reserva volatilidade com crise se alastrando na Europa

Grécia e Portugal permanecem na linha de fogo; instabilidade deve predominar nas principais bolsas mundiais, afetando inclusive o Ibovespa

São Paulo – A semana compreendida entre os dias 11 e 15 de julho contará com a divulgação de indicadores econômicos e eventos relevantes no Brasil e no mundo, mas a atenção dos investidores estará concentrada na crise de dívida pública na Europa, o que eleva a volatilidade no mercado financeiro global.

Após a Grécia receber recentemente um pacote de ajuda de 12 bilhões de euros, os olhares agora se voltam para a dívida pública de Portugal. “Agora são portugueses e gregos juntos na linha de fogo, enquanto o mundo observa com apreensão a situação de Itália e Espanha”, destaca em relatório a equipe de pesquisa da Coinvalores, liderada pelo analista Marco Aurélio Barbosa.

No começo da semana ocorre a reunião dos ministros das Finanças da Zona do Euro, onde se espera que seja anunciado um segundo pacote de resgate para a Grécia, contendo inclusive a participação do setor privado. “Estamos à beira de um colapso econômico que começa, vamos dizer, na Grécia, mas que poderia facilmente se espalhar”, declarou o megainvestidor bilionário George Soros durante evento em Viena em 26 de junho, citado pela Bloomberg.

Os fundos de hedge que negociam bônus e empréstimos elevaram na semana passada suas apostas de que a crise na Europa deve se alastrar. A expectativa é de que Portugal, Espanha e Itália sejam forçadas a reduzir os gastos para pagar os credores, retardando o crescimento da economia e reduzindo os gastos dos consumidores.

O investidor estrategista Dennis Gartman, colunista do programa Fast Money, da rede de televisão norte-americana CNBC, afirmou na semana passada que a Grécia e seus vizinhos que formam os PIIGS (Portugal, Espanha, Irlanda e Itália) vão falir em até 18 meses.

Colaborador do Fast Money desde 2008, Gartman disse que, no curto prazo, os problemas de endividamento destes países serão contornados. Mas em um ano e meio, no máximo, todos os países vão sucumbir por não conseguir se livrar dos rombos da dívida pública.

Brasil Cena externa e notícias corporativas dão o tom aos negócios

Após registrar queda em quatro pregões consecutivos, o Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, fechou a sexta-feira (8) aos 61.513 pontos, acumulando desvalorização de 2,97% na última semana.

Na segunda-feira (11), os investidores devem repercutir a notícia de que a companhia aérea Gol comprou 100% do capital social da Webjet por 311 milhões de reais, por meio da holding VRG, conforme antecipou o blog Blue Chips, de EXAME.com. Em fato relevante divulgado ao mercado após o fechamento do pregão, a Gol afirmou que o valor pode ser alterado até a conclusão do negócio, sem data definida. Do total, 96 milhões serão pagos aos atuais sócios e o restante quitará as dívidas da Webjet. Na sexta-feira, as ações preferenciais (GOLL4) da companhia fecharam a sessão com alta de 3,50%, negociadas a 19,77 reais.


Outra novela que perdura no mundo corporativo é a disputa entre Casino e Abilio Diniz no processo de união entre Pão de Açúcar e Carrefour. Na sexta-feira, a família Diniz recebeu correspondência sobre pedido de arbitragem feito pelo Casino. A notificação foi encaminhada pela Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional. Na última semana, as ações preferenciais da rede varejista brasileira (PCAR4) acumularam queda de 6,86% diante das apostas de fracasso na operação de fusão.

Na quarta-feira (13), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) julgará o processo sobre a fusão entre Sadia e Perdigão. A informação foi concedida pelo conselheiro Ricardo Ruiz, que está à frente das negociações, na última quinta-feira (7). O julgamento ocorrerá apesar de a Brasil Foods querer o adiamento da apreciação.

A temporada de balanços do segundo trimestre também promete mexer com os mercados. A divulgação começa com a Localiza (RENT3) publicando seus resultados na quarta-feira. Em relatório recente, a analista Renata Faber do Itaú BBA afirmou que o impacto dos números da companhia sobre as ações deve ser neutro, pois o mercado financeiro já adotou projeções muito otimistas para a empresa diante do forte e consistente momento operacional que a locadora de veículos vem registrando desde 2009.

Entre os indicadores previstos para a semana no Brasil, destaque para a primeira prévia do IGP-M, já na segunda-feira, e a Pesquisa Mensal do Comércio, na terça-feira (12), ambos sendo importantes referências da atividade econômica no País, juntamente com o IBC-Br de maio, do Banco Central, na quarta-feira, e o IGP-10 da Fundação Getúlio Vargas na sexta-feira (15).

EUA Dados de atividade e inflação são destaque

“Os investidores deverão digerir a inesperada piora no mercado de trabalho americano, enquanto aguardam por mais indicadores relacionados ao maior mercado consumidor do planeta”, afirma a Coinvalores.

Por lá, a balança comercial mensal sai na terça-feira, mas é na quinta-feira (14), com as vendas no varejo, e na sexta-feira, com a produção industrial de junho, preços ao consumidor (CPI) e a confiança do consumidor que se formarão maiores expectativas em relação à economia dos Estados Unidos.

“Os primeiros dados de atividade de julho nos Estados Unidos poderão indicar se o crescimento fraco observado nos últimos meses foi um fator temporário, resultado do terremoto do Japão e seus efeitos sobre a cadeia produtiva, ou se têm caráter mais persistente”, estima em relatório a equipe de pesquisa do Banco Fator, liderada pela analista Lika Takahashi.

China Publicação do PIB do 2º trimestre

Na China, uma importante bateria de indicadores na terça-feira, que traz o Produto Interno Bruto (PIB), referente ao segundo trimestre de 2011, além de dados sobre a produção industrial e as vendas no varejo, deverá servir como parâmetro para expectativas em relação à continuidade do aperto monetário no gigante asiático.

“Há uma expectativa de que o crescimento do PIB chinês tenha desacelerado em relação ao 1º trimestre, quando teve expansão de 9,7% em termos anuais”, estima o Banco Fator. “Essa desaceleração é reflexo das medidas de aperto monetário tomadas até agora pelo governo chinês, como o aumento de compulsórios e da taxa básica de juros”, completa.