Seguradoras buscam ganhos em títulos privados

Entre 15% e 20% dos bilhões do setor já são destinados hoje a títulos privados como CDBs e debêntures de empresas

Rio – A trajetória de queda da taxa básica de juros (Selic) mudou a alocação das reservas técnicas – valor calculado com base nos prêmios recebidos para cobrir riscos futuros – das seguradoras. O porcentual de reservas aplicado em títulos públicos saiu de pouco mais de 90% para cerca de 75% nos últimos cinco anos, disse Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica e membro da CNSeg, que participou nesta sexta-feira do IV Enconseg – Encontro de Corretores do Estado do Rio de Janeiro.

Entre 15% e 20% dos bilhões do setor já são destinados hoje a títulos privados como CDBs e debêntures de empresas. “A redução dos juros afeta as reservas, mas é fantástica porque tem um efeito propulsor do crescimento econômico”, disse Larragoiti.

Apesar da necessidade de tomar mais risco para gerar ganhos, Larragoiti disse que não vê chance das aplicações do setor em ações superar os 5% das reservas técnicas. Atualmente esse porcentual fica entre 1% e 2% dos recursos totais.

A SulAmérica Seguros tem R$ 7 bilhões em reservas técnicas e uma alocação de recursos semelhante à média do setor. O executivo afirma que uma das alternativas em estudo pelos gestores da companhia é investir nas chamadas debêntures de infraestrutura. “Estamos olhando atentamente, mas ainda são poucos os lançamentos”, disse.

Para Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro, a queda dos juros vai obrigar as seguradoras a buscar mais ganhos operacionais e uma menor sinistralidade. “É uma tendência mundial. É preferível ganhar no operacional a depender do financeiro”, afirmou. As reservas técnicas da Porto Seguro somam hoje R$ 5,8 bilhões. Se incluídos os valores de previdência privada o volume salta a R$ 7,3 bilhões.