S&P e Austin rebaixam ratings do Cruzeiro do Sul

Agências colocam em dúvida a capacidade de recuperação do banco

São Paulo – Após a intervenção do Banco Central no Cruzeiro do Sul (CZRS4), a instituição recebeu dois rebaixamentos de ratings, pela Standard & Poor’s e pela brasileira Austin Rating.

A Standard & Poor’s rebaixou os ratings de longo e curto prazos atribuídos ao Banco Cruzeiro do Sul de ‘B+/B’ para ‘CC/C’ na escala global e de ‘brBBB/brA-3’ para ‘brCC/brC’ na escala nacional. As notas foram colocadas em ‘creditwatch’, com classificação ‘em desenvolvimento’.

Segundo comunicado, a ação de rating reflete uma deterioração na liquidez do banco e a agência acredita que o Cruzeiro do Sul é incapaz de honrar suas obrigações financeiras sem o suporte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

“Sob o Regime de Administração Especial Temporária (RAET), acreditamos que a capacidade do banco para continuar as atividades de captação de recursos de forma pontual será afetada, dados os potenciais resultados da revisão do BC sobre as práticas contábeis e a evidência de insubsistência nos ativos, prejudicando sua liquidez”, afirmaram os analistas da S&P em comunicado.

Já o ‘creditwatch’ “em desenvolvimento” significa que o rating do banco pode ser rebaixado ou reafirmado dentro de 90 dias. “Se o banco for capaz de acessar de forma independente funding sem colateral do mercado ou receber suporte externo substancial, poderemos elevar os ratings”, afirmam os analistas da agência.

Eles ressaltam porém que ainda não está claro se o FGC promoverá a liquidez necessária para o banco honrar suas obrigações nos próximos meses e que uma novidade sobre o rating virá quando essa situação estiver mais clara.

Já a Austin Rating rebaixou o rating do Cruzeiro do Sul de A- para CCC, com observação negativa.

A agência de classificação de risco também citou a insubsistência encontrada em ativos e o descumprimento de normas aplicáveis ao sistema financeiro brasileiro observado pelo Banco Central do Brasil.

A Austin Rating também rebaixou das cotas seniores dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) do Banco Cruzeiro do Sul, também com possibilidade de novo rebaixamento.