Rodoanel deve valorizar ações da CCR e da OHL

Com boas perspectivas para o setor, analistas recomendam compra dos papéis

O leilão realizado nesta terça-feira (11/5) para concessão do trecho oeste do Rodoanel Mário Covas trouxe novas perspectivas para o setor, fazendo com os analistas revisassem suas projeções para as ações das concessionárias de rodovias negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As corretoras estão recomendando compra não só dos papéis da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), vencedora do leilão, mas também de sua concorrente, a OHL Brasil, que em evento anterior obteve o direito de administrar cinco rodovias federais, incluindo a Régis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba, e a Fernão Dias, principal comunicação entre Belo Horizonte e a capital paulista.

“Quando a OHL venceu a segunda etapa do programa de concessão das estradas federais, o mercado considerou que a empresa ofereceu um deságio muito grande – e a penalizou por isso. Agora, com o leilão do Rodoanel, ficou evidente que já não há mais margem para retornos tão altos como antigamente e isso deve provocar uma correção nos preços dos papéis”, diz o Marco Aurélio Barbosa, chefe da área de Análise da corretora Coinvalores. A reação do mercado foi imediata. Logo após o encerramento do leilão, as ações das duas companhias dispararam e, no final do dia, os papéis da CCR apresentaram alta de 4,80%, enquanto as da OHL subiram 15,37%. No pregão desta quarta-feira (12/3) o movimento continua. Às 13h18, os papéis da CCR são negociados a 26,90 reais, em alta de 0,26%, e os da OHL têm valorização de 0,45%, a 20,05 reais.

A taxa de retorno prevista para o Rodoanel ficou em 9,3%, bastante abaixo dos 20,3% obtidos com a aquisição da Renovias pela CCR em janeiro de 2008. Com as estradas federais, a OHL deverá obter um retorno de 8,4%. Apesar das taxas mais modestas, as projeções para as rodovias brasileiras são positivas.  “Para o Brasil crescer é necessário desenvolver infra-estrutura. As rodovias ainda são o principal meio de transporte no país e seu movimento deve crescer juntamente com o aumento do PIB”, diz Barbosa. A corretora Ativa destaca, ainda, que as rodovias são geradoras de elevados fluxos de caixa e contam com um “enorme potencial de crescimento no Brasil, dada a fragilidade do estado em prover os investimentos necessários em infra-estrutura”.

Para a corretora SLW, o Rodoanel deverá ganhar mais importância nos próximos meses, “uma vez que as cada vez mais estranguladas vias da capital tendem a obrigar principalmente os motoristas de caminhões a evitarem passar por dentro da capital para acessarem rodovias que vão para outras regiões do país”. A Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) estima que 49,6 milhões de veículos utilizarão por ano o Rodoanel, mas estudos da CCR mostram que o tráfego no local deverá ficar entre 40% e 50% acima desse número, já considerando a cobrança da tarifa de pedágio de 1,17 reais.  Sendo assim, a corretora Fator prevê uma alta de 68% para as ações da companhia até dezembro de 2008, que devem ter sua cotação elevada a 43 reais.

Já para os papéis da OHL, a previsão é ainda mais otimista: 144,5% de valorização, podendo fechar o ano a 42,30 reais. Somente com a administração das cinco estradas federais, a OHL espera obter um caixa de 15,5 bilhões de reais entre 2008 e 2032, quando vencem as concessões.  “A OHL tem um potencial de valorização acima da CCR, mas seu risco também é maior, já que a empresa está bastante endividada e há muitas incertezas em relação ao retorno de suas operações”, diz Barbosa.

Rodoanel Mário Covas – trecho oeste

Divulgação

Sete trechos de rodovias federais leiloados

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