Robôs podem ajudar investidores a lucrar em meio à volatilidade do mercado

Cerca de 73% dos 3 mil clientes da SmarttBot registraram ganhos, enquanto o Ibovespa recuou 27% no mês. Já o retorno do fundo Zarathustra foi de 4,5%

Engana-se quem acha que em tempos de crise as perdas financeiras são generalizadas. Há quem consiga ganhar dinheiro — e muito. Foi o caso dos investidores que usaram robôs traders para executar ordens na plataforma SmarttBot. Cerca de 73% dos 3.000 clientes que operam por meio de estratégias automatizadas obtiveram ganhos em março, mesmo com o Ibovespa acumulando queda de cerca de 27% no mês até esta quarta-feira, 25.

As estratégias que utilizam modelos estatísticos e indicadores de análise técnica são, em geral, parametrizadas por profissionais do mercado e os clientes pagam uma mensalidade para segui-las; no entanto, também podem ser montadas pelos investidores mais experientes. Assim que os critérios previamente definidos são alcançados (quando a ação atinge um determinado preço, por exemplo), os robôs disparam as ordens de compra ou de venda para a corretora automaticamente.

“No atual cenário de volatilidade, é difícil ser frio na hora de tomar decisões; essa é a vantagem do robô que já está parametrizado com base em estatística”, afirma Mateus Lana, diretor de negócios e cofundador da SmarttBot, que movimenta mais de 60 bilhões de reais por mês e é responsável por cerca de 5% do volume de contratos futuros negociados na B3. “Tivemos casos de pessoas que ganharam 6,25%, outras 5,5%, mas houve quem perdesse 2%. O ideal é que esse tipo de investimento seja uma fatia de diversificação da carteira do investidor”, comenta.

Entre outros motivos para esse desempenho, os robôs traders podem operar diversos ativos: de ações a minicontratos como mini-índice e minidólar, além de ser possível montar diversas estratégias, como long and short (comprado e vendido) e arbitragem. Entre os robôs oferecidos pela SmarttBot, há alguns com taxa de acerto de até 80% por operação e fator lucro de até 3,16. Isso significa que, para cada real que o robô perde em uma operação, ele ganha 3,16 reais nas transações em que ele acerta.

O fundo Zarathustra, da gestora Giant Steps, também utiliza robôs para dar ordens de compra e de venda de ativos e acumula ganhos com a queda do Ibovespa. Sua parametrização é feita com base na análise de 150 anos de história e em modelos estatísticos. “Esse fundo tem uma performance melhor em momentos de irracionalidade do mercado, que é o que está acontecendo agora”, diz Rodrigo Terni, sócio da gestora que tem 2,3 bilhões de reais sob gestão.

O fundo acumula alta de 4,5%, investindo 70% de seus recursos sob gestão em ativos de mercados globais. “Operamos juros, câmbio, ações e commodities em 20 mercados. São os mesmos ativos que os demais fundos multimercado acompanham: a diferença é que a quantidade de dados que temos disponível nos permite interpretar as tendências de forma diferente”, afirma.

O fundo Zarathustra vai ser reaberto aos investidores na sexta-feira, 30, e o aporte inicial mínimo é de 10.000 reais.