REEDIÇÃO-PANORAMA1-Cena externa negativa divide foco com eleição

(Repete texto para deixar claro que a bolsa de Xangai não
operou)

SÃO PAULO, 4 de outubro (Reuters) – Investidores do mercado
brasileiro voltam do fim de semana com a notícia de que haverá
segundo turno na eleição presidencial no país, após a candidata
do PT, Dilma Rousseff, registrar 46,90 por cento dos votos
válidos no domingo, enquanto seu principal adversário, o tucano
José Serra, obteve 32,61 por cento. A surpresa foi a arrancada
final da candidata do PV, Marina Silva, que obteve 19,33 por
cento dos votos válidos e será peça fundamental nas próximas
semanas.

A avaliação de economistas e analistas consultados pela
Reuters logo após se confirmar o segundo turno foi de que tal
resultado não deve adicionar grande volatilidade aos negócios,
embora talvez proporcione alguma cautela, em particular no
mercado cambial e de juros futuros.

O avanço de Dilma nas pesquisas colaborou com um alívio na
curva de juros, uma vez que havia temores de Serra mudar
política monetária etc, lembrou Arthur Carvalho Filho,
economista-chefe da corretora Ativa. “Desse modo, o investidor
estrangeiro que está entrando em uma velocidade impressionante
pode reduzir o ritmo um pouco.” E o mesmo movimento de esperar
até o final da eleição pode proporcionar também uma pausa na
apreciação do real, sem mudar a tendência, acrescenta.

No câmbio, Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados
emergentes das Américas do Nomura Securities, cita que nos
últimos dias, houve entradas (de dólares) antecipando uma
eventual medida relacionada ao IOF, que seria anunciada após a
eleição. Esse fluxo já foi. “Dado isso, não me surpreenderia
que o dólar voltasse a se apreciar. Por outro lado, os
investidores devem entender que a probabilidade de um eventual
IOF no intervalo dos próximos 30 dias é muito baixa.”

O viés negativo nas praças financeiras internacionais,
contudo, pode distorcer o impacto do resultado das eleições nos
negócios locais, em sessão de perdas nas bolsas e
fortalecimento global do dólar. Não ajudava comentário do
presidente do Fed da Filadélfia, Charles Plosser, ao Financial
Times, de que o Fed não deve anunciar uma nova rodada de
compras de ativos sem definir o que ele quer atingir por meio
dessa política.

Investidores no exterior mantêm uma visão negativa e certo
nervosismo em relação à perspectiva para a retomada mundial,
mas evitam manter um tom excessivamente pessimista justamente
em razão da possibilidade de a autoridade norte-americana
injetar ainda mais recursos no sistema.

Pela manhã, o dólar valorizava-se 0,45 por cento ante uma
cesta com as principais divisas globais. O mesmo movimento era
verificado ante a moeda japonesa, com o dólar negociado a 83,31
ienes, ante 83,19 ienes na sexta-feira. O euro também recuava,
transacionado a 1,3684 dólar ante 1,3789 dólar na última
sessão. Nesse contexto, o petróleo caía 0,69 por cento, a 81,02
dólares o barril, nas operações eletrônicas em Nova York.

Na Europa, o acionário FTSEurofirst 300 recuava
0,48 por cento, com os papéis de bancos entre as maiores
quedas. Não favorecia a notícia de que os bancos britânicos
podem precisar de um novo pacote de resgate estatal no ano que
vem e os custos podem atingir 25 bilhões de libras (39,5
bilhões de dólares) por mês, segundo levantamento de um
instituto de pesquisa.

Em Wall Street, os futuros também sinalizavam uma abertura
negativa, com o contrato do S&P 500 em baixa de 6,6
pontos. Dados sobre as encomendas às indústrias
norte-americanas e de vendas pendentes de moradias estão na
pauta, bem como notícias corporativas, com a oferta hostil da
farmacêutica Sanofi-Aventis pela empresa de biotecnologia
Genzyme, por 18,5 bilhões de dólares.

Na Ásia, o Nikkei fechou com declínio de 0,25 por
cento, com investidores no aguardo da decisão do Banco do Japão
na terça-feira. O índice da bolsa de Xangai não
operou.

Nesse cenário, o índice MSCI para ações globais
recuava 0,22 por cento.

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Veja como terminaram os principais mercados na sexta-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,681 real, em queda de 0,65 por cento em
relação ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa subiu 1,15 por cento, a 70.229 pontos. O volume
financeiro na bolsa foi de 7,56 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros avançou 1,41 por
cento, para 35.533 pontos.

JUROS

O DI janeiro de 2011 apontava 11,43 por cento ao ano no call
das 16h, ante 11,50 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,3789 dólar, ante
1,3630 dólar no fechamento anterior nas operações
norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40,
avançava para 138,688 por cento do valor de face, oferecendo
rendimento de 2,501 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil recuava 5 pontos, a 202 pontos-básicos. O
EMBI+ cedia 6 pontos, a 271 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones subiu 0,39 por cento, a 10.829
pontos, o S&P 500 ganhou 0,44 por cento, a 1.146 pontos.
O Nasdaq Composite teve oscilação positiva de 0,09 por
cento, aos 2.370 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo com vencimento mais curto
1,61 dólar, ou 2,01 por cento, a 81,58 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos,
referência do mercado, estava praticamente estável, oferecendo
rendimento de 2,513 por cento ante 2,512 por cento no
fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no
terminal de notícias da Reuters pelo código )

(Reportagem de Paula Arend Laier; Edição de Vanessa
Stelzer)