Raia Drogasil se mostra remédio contra crise no mercado

Ação tem as boas perspectivas do setor bem refletidas em seu preço e valorização pode estar perto do fim

São Paulo – O setor farmacêutico traz, na visão de analistas, boas perspectivas para as grandes redes farmacêuticas. Com essa expectativa, a Raia Drogasil (RADL3) vem se destacando na bolsa, com uma alta superior a 119% em 12 meses.

Em 2012, até o pregão desta quarta-feira, a empresa sobe 75,34% e registra a maior alta do índice setorial de consumo (ICON), que sobe 12,94%, no período. A Brazil Pharma (BPHA3), concorrente na bolsa, também poderia se beneficiar das perspectivas do setor, mas tem alta bem mais sútil que a da empresa no período, de 30,56%.

“Talvez, a empresa só não tenha conseguido a mesma dinâmica por falta de liquidez”, sugere André Parize, chefe da área de análise de ações da Votorantim Corretora.

Entre os pontos positivos que o setor apresenta, Parize destaca, por exemplo, o aumento da participação de genéricos, que têm margens maiores, e do aumento da presença de produtos de higiene e cuidados pessoais nas farmácias.

Iago Whately, analista da Fator Corretora, concorda que a perspectiva para o varejo farmacêutico é um dos motivos. “O setor tem se mostrado resiliente às oscilações da economia o que torna a ação uma boa opção em momentos de crise”, afirma.

Ele destaca que, embora o setor seja muito fragmentado e a maior fatia desse mercado esteja nas mãos de farmácias independentes, as grandes redes tem se mostrado mais competitivas e têm mais condições de crescer. 


Tanto Whately quanto Parize também destacam que a fusão entre Droga Raia e Drogasil em agosto, criando a empresa atual, deu fôlego para que a companhia aproveitasse as oportunidades desse mercado.

Perspectivas

Um dos pontos que determinará se a Raia Drogasil continuará com bons números é como a empresa conduzirá a expansão. “A companhia está bem posicionada para essa consolidação no setor, mas não por meio de aquisições, mas sim por crescimento em novas unidades”, afirma Whately, da Fator.

Comprar farmácias independentes não faria muito sentido para a empresa, que pode abrir uma unidade já em seus padrões em pontos de venda próximos a concorrentes independentes e acabar se sobressaindo em relação a outras lojas.

Risco

Um dos principais riscos para a empresa é o preço em que o ativo já se encontra. Na Fator, o preço-alvo é de 23 reais e na Votorantim, de 23,30 reais, ambos muito próximos do valor atual.

Além disso, destaca Whately, outro desafio para a companhia é que ela ainda está num processo de consolidação após a fusão e a maneira como isso é conduzido pode afetar a rede de maneira positiva ou negativa.