Quem subiu e desceu na bolsa com os resultados desta quarta-feira

B2W, Gafisa e Lojas Americanas estão entre as principais a divulgar os balanços

São Paulo – Em mais um dia de negociações afetadas pelo cenário externo, o Ibovespa acompanhou o mau humor e chegou a cair 1,9%, aos 59.168 pontos. As ações do setor imobiliário estiveram entre os piores desempenhos do dia, com as companhias em plena temporada de resultados. Nesta quarta-feira, o destaque foi o balanço da Gafisa, além da administradora de shoppings Aliansce. Confira a seguir a reação do mercado e a análise para Lojas Americanas, B2W e Amil.

B2W (BTOW3) -5,26%

A dona dos sites de comércio eletrônico Submarino, Americanas.com e Shoptime mais uma vez decepcionou com o seu balanço. A empresa registrou um prejuízo líquido de 42,8 milhões de reais no primeiro trimestre. O valor está acima da perda de 1,6 milhão de reais apurada um ano antes. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em 60 milhões de reais, queda de 47,6%.

“O resultado divulgado foi muito fraco e muito abaixo das expectativas do mercado, e novamente deverá refletir-se negativamente no desempenho das ações no curto prazo”, avaliam os analistas da Fator Corretora, Renato Prado e Ronaldo Kasinsky. E não deu outra. Os papéis da B2W acumularam o pior desempenho do Ibovespa nesta sessão. A Fator tem a recomendação de manutenção para as ações, com um preço-alvo de 13,88 reais.

Lojas Americanas (LAME4) +1,71%

A vida também não está nada fácil para a controladora da B2W. Ainda assim, a Lojas Americanas conseguiu surpreender o mercado com um lucro líquido de 41,1 milhões de reais no período, uma queda de 34,1% na passagem anual. O Ebitda ficou em 272,3 milhões de reais, uma queda de 2,6%. A receita líquida cresceu 8,1%, para 2,436 bilhões de reais.

“As lojas da Americanas continuam no curso para mais um bom ano. O crescimento das mesmas lojas [abertas há mais de doze meses] pode acelerar com a recuperação macroeconômica e o baixo custo de funding pode ajudar na linha do lucro”, explica Gustavo Piras Oliveira, que assina um relatório do UBS sobre a empresa. A recomendação é de compra, com preço-alvo de 17,33 reais.

Gafisa (GFSA3) +0,26%

Ainda combalida pelas operações da subsidiária Tenda, a Gafisa terminou o primeiro trimestre do ano com um prejuízo líquido consolidado de 31,515 milhões de reais, um número 27,2% menor que o visto um ano antes. O Ebitda ficou em 105,187 milhões de reais, um avanço de 268% na mesma base de comparação. A receita líquida cresceu 27%, para 927,833 milhões de reais. A margem EBITDA atingiu a 11,3%, acima dos 4% reportados em 2011, mas ainda abaixo do que esperavam os analistas.


“Não esperamos uma normalização das margens até 2013 por acreditarmos que a venda e entrega de projetos com margens menores em construção irão acontecer ainda durante vários trimestres pela frente”, ressaltam os analistas Carlos Peyrelongue e Fanny Oreng, do Bank of America Merrill Lynch. A recomendação é de compra dos papéis, com um preço-alvo de 5,50 reais.

Aliansce (ALSC3) -1,63%

A administradora de shoppings alcançou um lucro líquido de 31,2 milhões de reais no primeiro trimestre, um crescimento de 256,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado ficou em 45,4 milhões, um crescimento de 20,4% na mesma passagem. A receita líquida atingiu 70,8 milhões de reais, um avanço de 15,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“O primeiro trimestre sólido (apesar em linha) não muda a nossa visão favorável para a Aliansce, que tem sido a nossa escolha principal entre as administradoras de shopping do Brasil. As ações da Aliansce continuam atrativas em comparação aos pares, mesmo que elas pareçam menos uma barganha em bases absolutas”, afirmam Marcello Milman e Gustavo Cambauva, do BTG Pactual, em relatório. A recomendação é de compra, com um preço-alvo de 18 reais.

Amil (AMIL3) +2,88%

O lucro líquido da empresa ficou em 88,4 milhões de reais no primeiro trimestre, uma queda de 16,5% na comparação com o ano anterior. A receita líquida foi de 2,482 bilhões de reais, um pequeno avanço de 0,5%. O Ebitda alcançou 222,4 milhões de reais, um valor 6,8% acima do registrado um ano antes.

“O desempenho operacional foi bom, em linha com as nossas expectativas e o consenso do mercado, impulsionado pela baixa sinistralidade e pelo maior controle de despesas operacionais. No entanto, a carteira de beneficiários de planos de saúde decresceu, em
função dos reajustes de preço e da consequente elevação do índice de cancelamento de contratos. Além disso, o lucro líquido foi inferior às nossas projeções, em função do maior patamar de despesas financeiras”, ressalta Iago Whately, da Fator Corretora, em relatório. A recomendação é de manutenção das ações, com um preço-alvo de 20,40 reais.