Quem ganha na Bolsa com os juros ainda mais baixos

As empresas e os setores que são beneficiados pelo corte da Selic anunciado ontem pelo Banco Central

São Paulo — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou ontem um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Assim, a taxa básica de juros foi de 7% para 6,75% — o nível mais baixo em toda a série histórica do BC, iniciada em 1986.

Na Bolsa, o impacto da redução é positivo. Isso porque juros menores tendem a diminuir a atratividade de outras opções de investimento, como os de renda fixa, o que faz com que mais gente busque no mercado acionário melhores rendimentos.

Entre os setores, um dos primeiros a serem beneficiados pela tesoura do BC é o financeiro. Isso porque o corte da Selic reduz os custos de captação de bancos, que caem mais rapidamente do que as taxas de juros oferecidas aos clientes. Além disso, mesmo com a redução do spread bancário, o volume de empréstimos pode aumentar, ampliando os recursos das instituições financeiras.

Com mais crédito na praça e a melhora das condições econômicas, o consumo — que ainda se mostra tímido — pode ser retomado. Assim, ganham as empresas de construção civil, as administradoras de shoppings e as companhias de varejo.

O afrouxamento monetário também é benéfico para as companhias que têm um grande volume de dívidas. “Com a queda, o custo da dívida diminui muito”, explica Raphael Figueiredo, sócio e analista da Eleven Financial.

Empresas de serviços públicos, como de energia e saneamento, se encaixam no último caso. O motivo é que as regras de concessões obrigam essas companhias a pegarem novos empréstimos para fazer investimentos.

Fim dos cortes

O Copom sinalizou ao mercado que o ciclo de cortes da Selic — iniciado em outubro de 2016 — pode ter chegado ao fim. Se tudo evoluir como o esperado, diz o grupo, a taxa seguirá nos 6,75% nos próximos meses.

O que alguns analistas questionam é por quanto tempo o Banco Central irá manter os juros em patamares tão baixos. Raphael Figueiredo acredita que o cenário é favorável para a manutenção da taxa até o final do ano.

“Pelo menos até as eleições presidenciais, o cenário deve ser propício para isso”, diz Figueiredo. “Por enquanto, estamos em um bom momento, com a aceleração da economia e a inflação controlada.”

Para economistas consultados semanalmente pelo Banco Central, é mais certo que os juros subam só em 2019. Segundo a estimativa deles, a Selic deve terminar 2018 em 6,75% e o próximo ano perto dos 8%.

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