Queda do Ibovespa mostra ‘realidade’ do País, diz Nocera

Segundo analista, mercado corre ao exterior para conseguir crédito

Nova York/São Paulo – A queda do Ibovespa este ano mostra a “verdadeira realidade” do País, que caminha em direção a um ciclo de expansão e retração em meio à crescente demanda corporativa por crédito externo, disse Simon Nocera, cofundador do fundo de hegde Lumen Advisors LLC.

Os preços das ações brasileiras embutem um crescimento “escandaloso” sem justificativa, enquanto o País é vulnerável a uma desaceleração do crédito e sua expansão é limitada pela falta de mão de obra qualificada, disse Nocera, que foi economista do Fundo Monetário Internacional, na conferência Bloomberg Brasil, hoje em Nova York.

“Nesse cenário, o Ibovespa é o único indicador que mostra a verdadeira realidade do Brasil”, disse Nocera. “Ainda há alguns setores do mercado acionário brasileiro estão considerando um crescimento de 20 por cento em algumas indústrias, o que é simplesmente um absurdo.”

O Ibovespa acumula perdas de 12 por cento desde o início do ano até ontem, em meio a receios de que a aceleração da inflação pode prejudicar a demanda doméstica, enquanto uma desaceleração do crescimento econômico global pode cortar o apetite por commodities. O saldo de investimentos estrangeiros na BM&FBovespa está negativo em R$ 866,1 milhões desde o inicio do ano até 5 de julho, segundo a maior bolsa da América Latina.

Na última semana, a cotação do Ibovespa em relação às estimativas de lucro das companhias que compõe o índice caiu para 9,9, segundo dados compilados pela Bloomberg. Para o índice da MSCI Inc. que acompanha o mercado de 21 países em desenvolvimento, a relação ficou em 11 vezes no mesmo período. O Ibovespa está no nível mais barato em relação ao índice da MSCI desde março de 2009.