Queda do dólar ante real deve ser apenas temporária

Projeções de 31 economistas nesta semana ainda colocam a taxa de câmbio perto de 2,45 a 2,50 reais em um horizonte de seis a 12 meses

São Paulo – A queda do dólar nas últimas semanas deve ser apenas temporária, o que manteria a pressão sobre o Banco Central para continuar intervindo no mercado, segundo pesquisa da Reuters.

As projeções de 31 economistas consultados pela Reuters nesta semana ainda colocam a taxa de câmbio perto de 2,45 a 2,50 reais em um horizonte de seis a 12 meses, mesmo com a queda de cerca de 3 por cento do dólar em fevereiro.

Enquanto o dólar deve subir no Brasil, ele deve cair lentamente no México após um período de estabilidade no mês passado, segundo a mediana de 22 projeções.

O dólar terminou a quinta-feira cotado a 2,3212 reais, perto da mínima em dois meses. Mesmo assim, a mediana das projeções na pesquisa da Reuters coloca a taxa de câmbio em 2,45 reais em seis meses e em 2,48 reais em 12 meses, praticamente o mesmo nível da pesquisa do mês passado.

A desvalorização do real atrapalha a luta do BC contra a inflação. O BC tem atuado no mercado de câmbio por meio principalmente de swaps cambiais desde o ano passado, e o presidente da instituição, Alexandre Tombini, já disse que o banco pode usar parte de seus 377 bilhões de dólares em reservas se necessário para diminuir a volatilidade do mercado.

A pesquisa da Reuters indicou um grau de incerteza maior sobre a taxa de câmbio no Brasil. A faixa de projeções no horizonte de 12 meses se ampliou para 2,196 a 3,000 reais, comparado com entre 2,350 e 2,700 reais na pesquisa anterior –o que também pode indicar maior instabilidade no mercado.


“O real se valorizou um pouco nas últimas semanas por causa de alguns sinais positivos no curto prazo: o resultado melhor que o esperado do crescimento no quarto trimestre, a maior dose de realismo na meta fiscal anunciada pelo (ministro da Fazenda, Guido)_Mantega para 2014, e o contingenciamento de 44 bilhões de reais do orçamento de 2014”, disse o analista para América Latina da Maplecroft, em Londres, James Lockhart-Smith.

“Mas no médio prazo, o impacto estrutural da redução do estímulo monetário pelo Fed deve continuar a pesar. Nós esperamos que a queda do dólar perca força se o Fed reduzir o estímulo em mais 10 bilhões de dólares este mês, e depois o dólar deve subir ao longo do ano até se estabilizar na faixa entre 2,50 e 2,70 reais”, acrescentou.

Mercado muito comprado em dólares

A mediana das projeções do mercado sugere que investidores poderiam lucrar no curto prazo comprando dólares.

No entanto, relatório recente do Bank of America Merrill Lynch lembra que essa aposta não é tão simples. Com o mercado já carregando grandes posições compradas em dólares no mercado de derivativos, há pouco espaço para novas apostas contra o real, segundo os analistas do BofA Merrill Lunch.

O BNP Paribas, que se diz “estruturalmente pessimista” com o real, também reconhece que a posição técnica não é favorável.

A cautela não se restringe ao Brasil. No México, que decepcionou investidores com crescimento muito fraco no ano passado, a moeda deve se valorizar esse ano, mas a um ritmo bastante lento, de acordo com a pesquisa. O peso, atualmente cotado a 13,1668 por dólar, se valorizaria a 13,000 em seis meses e 12,870 em 12 meses, segundo a pesquisa.