Queda da bolsa é oportunidade de compra, afirma BlackRock

Will Landers, gestor para América Latina do fundo, revela também que OGX é a principal aposta no setor de petróleo na região

São Paulo – A desvalorização recente da bolsa brasileira, que a distanciou de bater o recorde de 73.516 pontos, deve ser encarada com uma oportunidade de compra pelos investidores, analisa Will Landers, gestor para América Latina da BlackRock, maior administradora de recursos do mundo. O Ibovespa voltou a cair na esteira das preocupações com a crise fiscal dos países europeus e retornou ao vermelho em 2010. Até ontem, o índice acumulava uma queda de 1% no ano e de 3,9% apenas em novembro.

“Os maiores riscos para os emergentes vêm de fora. Temos que tomar bastante cuidado. Estamos focados nisso, mas ao mesmo tempo, esses períodos de correção como os vistos nos últimos dias são uma oportunidade de compra. Não acho que a União Europeia vai se desintegrar”, disse Landers em entrevista a Exame.com. O gestor explica ainda que o anúncio de que o BC americano irá injetar 600 bilhões de dólares na economia para reativá-la é positivo, mas que os efeitos nos emergentes ainda vão demorar.
 
Landers explica que a bolsa continua como uma das mais atrativas do mundo. “Não temos mais algumas incertezas no mercado, como a operação da Petrobras e sobre quem ganharia as eleições. Olhamos para  a bolsa abaixo de 10 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) para 2011, com uma taxa de crescimento esperada para os resultados acima de 20% e perto de 25%. Podemos olhar para mais um ano de resultados positivos para a bolsa”, projeta.

Inflação e BC
 
O gestor disse confiar na próxima administração do Banco Central e no seu compromisso com a manutenção do sistema de metas de inflação. “Estive com o Tombini algumas vezes. Ele está no BC desde 2005 e estava envolvido em todas as decisões de política monetária recente, porém ainda não tenho dados para tentar especular que ele vai estar mais alinhado com o Mantega. Acho que todos no governo brasileiro entendem a importância do sistema de metas de inflação e o risco de uma abordagem mais flexível”.
 
“Não estou no lado dos que acham que vamos ter grandes mudanças do plano econômico. Claro que tínhamos esperança  de melhorias na parte fiscal e de controle de custos, mas temos que esperar o orçamento para o ano que vem. Acho que ainda  é muito cedo para tomar uma decisão. Com a manutenção do Mantega, contudo, a chance de um aperto econômico fiscal mais forte diminui”, afirma Landers. Para ele, um novo ciclo de alta da Selic será menor que o último e terminará abaixo de 13,75% ao ano.
 
OGX
 
Sobre a OGX Petróleo (OGXP3), Landers disse que é complicado falar sobre operações de fusões e aquisições, mas que vale a pena esperar uma possível venda de uma participação minoritária da OGX Campos. A empresa já anunciou a busca de um parceiro para adquirir até 20% dos ativos em Campos. “A OGX continua como o nosso ativo de petróleo favorito na América Latina e temos que ficar de olho. Quanto mais eles provarem reservas, melhor sairá o preço da venda”, diz.
 
Landers ainda não mostra conforto com as ações da Petrobras. “A nossa visão não muda de mês para outro. Agora vai ser um processo de entregar melhores resultados aos poucos”, disse. A BlackRock criticou o processo de capitalização da Petrobras e, principalmente, o preço estabelecido para o preço do barril de petróleo no processo de cessão onerosa.  “O fator que a Petrobras teve uma performance abaixo do Ibovespa no ano mostra que não éramos os únicos descontentes com a ação”, diz.
 
Ele explica que está “super underweight” em relação ao peso da Petrobras dentro do MSCI Latin America, considerado o benchmark para o fundo. “Diminuímos a posição em Petrobras e agora aumentamos um pouco. Agora, como qualquer gestor, quando vemos a oportunidade de diminuir o risco na carteira, a gente faz”, indica.