Quanto o dólar precisa subir para chamar a atenção do BC?

Nos últimos dias a moeda norte-americana voltou a valorizar de forma expressiva; ontem, fechou na segunda maior cotação do Plano Real.

O Banco Central fez, no segundo trimestre deste ano, uma grande intervenção no mercado de câmbio. Anunciou que faria uma oferta de cerca de 20 bilhões de dólares, por meio de contratos de swap, para conter a volatilidade do dólar – que subiu de 3,30 reais, em abril, para 3,90 no começo de junho; e caiu em seguida, com alguns altos e baixos.

Nos últimos dias, porém, o dólar voltou a valorizar de forma expressiva. Ontem, fechou em 4,14 reais, a segunda maior cotação do Plano Real. Ficou abaixo apenas dos 4,17 reais registrados em janeiro de 2016.

Dessa vez, porém, nem sinal do BC. “O mercado está incomodado com a falta de intervenção”, diz Camila De Caso, economista da corretora Spinelli.

Para alguns analistas, a ausência do BC tem contribuído para deixar os investidores ainda mais tensos. “O Banco Central está deixando o mercado colocar o preço do dólar. A consequência é que o investidor que entrou nesse mercado achando que O BC defenderia um certo patamar cambial ficou desconfortável. O risco aumentou”, diz Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos.

A avaliação dos especialistas é que a valorização recente do dólar é explicada principalmente pelo estresse eleitoral (o aumento de juros nos Estados Unidos já estaria no preço). E, como o cenário continua imprevisível, as previsões para o câmbio são bem diferentes dependendo do analista. A projeção média do mercado financeiro indica que o dólar vai fechar o ano em 3,75 reais.

Já a corretora Spinelli estima uma cotação de 4,30 reais. “O risco de vitória de um candidato que não esteja comprometido com a agenda de reformas e ajuste fiscal é relevante“, diz Camila. “Alguns falam até em rever reformas já aprovadas, como a trabalhista, o que é preocupante.”

Para Luketic, da XP, o real pode valorizar um pouco no curto prazo, pelo fato de ter perdido mais que as moedas de outros países emergentes. “É mais provável a cotação sair de 4,14 para cerca de 4 reais do que subir para 4,30. Mas, na situação atual, é muito difícil fazer projeções”, diz ele.