Projeções de câmbio se mantêm, apesar de volatilidade

Projeções para o dólar em 12 meses ficaram praticamente estáveis em relação a moedas como o real, ao rand sul-africano e ao peso mexicano

Brasília – Economistas mantiveram suas projeções para as principais moedas emergentes no mês passado apesar da maior volatilidade no mercado global, segundo pesquisa da Reuters publicada nesta quarta-feira.

A aposta é que o Federal Reserve, banco central norte-americano, seguirá o plano de voo e subirá os juros neste ano, mesmo com a onda de corte de juros e afrouxamento monetário no resto do mundo após a forte queda nos preços do petróleo e de outras commodities.

As projeções para o dólar em 12 meses ficaram praticamente estáveis em relação a moedas como o real, ao rand sul-africano e ao peso mexicano, na maioria dos casos projetando valorização gradual da moeda norte-americana.

No caso do Brasil, o dólar deve ser cotado a 2,81 reais daqui a 12 meses, segundo a mediana de 23 projeções que variaram entre 2,65 e 3,10 reais. Há um mês, a previsão era de que o dólar subiria a 2,80 reais no prazo de um ano.

As projeções foram coletadas entre 2 e 3 de fevereiro, levando em conta a taxa de câmbio do fim de janeiro a 2,68 reais. No mês passado, o dólar teve bastante volatilidade, caindo para o menor nível em quase dois meses e depois voltando a se aproximar das maiores taxas em quase uma década.

Segundo analistas, as projeções refletem pouco os riscos de recessão mais severa no Brasil, que poderia ser causada por um racionamento de energia ou pela paralisação de obras de infraestrutura em meio à Operação Lava Jato, que investiga casos de corrupção na Petrobras.

“Nesse primeiro semestre há o risco de aparecer um racionamento e essas projeções serem revisadas para cima,” disse o economista da Icatu Vanguarda Rodrigo Melo.

Diante da alta do dólar, o Banco Central deve continuar intervindo no mercado com a venda e a rolagem de swaps cambiais, indicou uma fonte da equipe econômica à Reuters na terça-feira.

Parte da alta recente do dólar foi causada por comentários do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que o governo não estaria interessado em um câmbio valorizado.

O ministério posteriormente esclareceu que o ministro não se referia à taxa de câmbio brasileira, e sim ao mercado global.

Na última reunião de política monetária no fim de janeiro, o Fed reiterou os sinais de que está inclinado a subir os juros neste ano, mesmo que a inflação tenha ficado abaixo da meta por mais de dois anos.

Se o Fed mudar de ideia e adiar a alta dos juros, como defendem muitos economistas, as moedas de países emergentes poderiam se beneficiar.