Prazo de emissões de debêntures cai para 4,8 anos

Dado foi apresentado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais

São Paulo – O prazo das emissões de renda fixa caiu no primeiro semestre deste ano, passando de 5,1 anos nas operações feitas de janeiro a junho de 2010 para 4,8 anos, segundo dados apresentados hoje pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Já a remuneração dos papéis, que em períodos anteriores estava muito dispersa, se concentrou na faixa dos 109% a 125% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI).

O vice-presidente da Anbima, Alberto Kiraly, disse que apesar da queda no prazo no primeiro semestre, ele ainda está dentro da média de cinco anos verificada nos últimos anos. Na série histórica, o pior momento para as empresas lançarem debêntures em termos de prazo foi em 2003, com papéis saindo a 2,7 anos.

Kiraly afirmou ainda que, apesar do crescimento das captações com debêntures, o mercado de dívida no Brasil pode ser muito maior do que é hoje. Para isso, o executivo acredita que o novo mercado de renda fixa terá papel fundamental. Este segmento, que está sendo criado pela Anbima, será um novo ambiente de negociações para a renda fixa e vai conceder uma espécie de selo de qualidade para as ofertas das empresas que adotarem padrões mínimos de governança e melhores práticas. A expectativa é que comece a funcionar no final deste ano ou começo de 2012.

No primeiro semestre, as empresas aumentaram as captações por meio de debêntures para refinanciar suas dívidas. De janeiro a junho, 62,2% dos recursos captados foram para este fim, ante 47,8% no mesmo período de 2010. As companhias também usaram os recursos, entre outras finalidades, para financiamento de investimentos e aquisições (18,1%) e capital de giro (14,8%).

Os setores que captaram mais recursos por meio de dívida foram os de construção civil (15,6% do total), energia elétrica (11,9%) e transporte e logística (10,8%). As emissões de debêntures somaram R$ 21,5 bilhões no primeiro semestre, pouco acima dos R$ 20,9 bilhões do mesmo período do ano passado. As notas promissórias ficaram em R$ 8,4 bilhões, estável em relação a 2010. Nas notas, houve uma emissão de R$ 2 bilhões da Redecard.