Poucas patentes do Twitter é vista como risco antes de IPO

Microblog afirmou em seu prospecto que possuía nove patentes, frente a 774 citadas pela Facebook antes da sua abertura de capital

Nova York – Os lucros não são a única coisa que faltam à Twitter Inc., antes da sua planejada abertura de capital. As patentes também estão em escassez.

Esta semana, o serviço de microblogging afirmou em seu prospecto que possuía nove patentes emitidas nos EUA, frente a 774 citadas pela Facebook Inc. antes da sua abertura de capital em maio de 2012 e 6.478 patentes acumuladas pela International Business Machine Corp., somente no ano passado. A coleção menor de patentes da Twitter reflete sua filosofia de permitir aos engenheiros e designers serem donos de suas invenções.

Embora a política da Twitter seja um esforço para limitar litígios com patentes, alguns investidores e analistas estão preocupados com que poderia não dar certo. A evidência demonstra que a propriedade intelectual pode ajudar as companhias a arrecadar mais fundos nas suas aberturas, já que as patentes permitem aos investidores quantificar o valor das reviravoltas tecnológicas. Essas salvaguardas são importantes para os potenciais investidores da Twitter, em meio às crescentes perdas da companhia e à falta de outras métricas financeiras para análise.

“A falta de um grande número de patentes emitidas é um pouco preocupante”, opina Maulin Shah, diretor de gestão na Envision IP LLC, uma consultoria e empresa de pesquisas em Nova York, em entrevista por telefone. “Caso a Twitter tenha que lidar com ações judiciais por violação de patentes, eles não têm muitas patentes às quais acudirem para responder judicialmente. Isso deixa a Twitter em desvantagem”.

Acordo com os inovadores

No prospecto, a Twitter afirma que muitos competidores possuem “carteiras de patentes muito maiores, o que pode convertê-la em alvo de litígios”.

A Twitter também afirmou que muitas patentes podem obstruir a inovação. Em maio, a companhia, sediada em San Francisco, implementou o Acordo de Patentes do Inovador (IPA) para manter a posse das invenções nas mãos de seus criadores. Como parte da política, a Twitter não pode iniciar ofensivas judiciais sem permissão do inventor. A IPA garante que as patentes “sejam usadas somente como escudos e não como armas”, conforme o site da Twitter.


A IPA ajudará a companhia a atrair e a reter mais engenheiros talentosos, afirmou Robert Clarkson, sócio no escritório jurídico de direito corporativo Jones Day. Mais de 5 mil demandas por patentes foram apresentadas no ano passado, o maior número já registrado, conforme um estudo realizado em 2013 pela PricewaterhouseCoopers LLP.

“A Twitter adotou uma abordagem um tanto diferente naquele acordo”, afrmou Clarkson, em entrevista por telefone de San Francisco. “Isso os ajuda a atrair indivíduos líderes. Eles obtêm mais atraindo os melhores e mais talentosos”.

Risco para os investidores

O maior risco da política é que os funcionários levem suas invenções com eles, apresentando uma ameaça competitiva caso abandonem a companhia, disse Jeff Sica, presidente e chefe de investimentos da Sica Wealth Management LLC.

A Twitter procurará arrecadar mais de US$ 1 bilhão na sua abertura de capital, afirmaram fontes do setor na semana passada, e provavelmente comece uma turnê para promover o IPO na última semana de outubro. Em agosto, a companhia fixou o valor de mercado das suas ações ordinárias em US$ 20,62 por ação.

“Os investidores se perguntam se a Twitter não está protegendo seus negócios”, afirmou Robert Peck, analista da SunTrust Robinson Humphrey Inc, em entrevista por telefone. “Acho que há um risco comercial nisso, mas neste ponto, o efeito de rede protege a Twitter”.

A falta de ofensiva litigiosa da companhia poderia reduzir os gastos. Cada processo judicial por patentes pode custar até US$ 5,5 milhões, dependendo do tamanho da propriedade intelectual em risco, conforme um estudo feito pela Associação da Lei Americana de Propriedade Intelectual, realizado em 2013.

“Reduzir patentes realmente ajuda a companhia a diminuir os custos de litígio”, afirmou Peter Adriaens, professor de empreendedorismo e estratégia na Universidade de Michigan. “É preciso ter o suficiente para projetar confiança aos consumidores quanto à propriedade intelectual que se possui”.