Por que uma ação da Petrobras subiu e outra caiu 8%

Empresa conseguiu controlar custos no último trimestre, mas cortou dividendos

São Paulo – A Petrobras (PETR3; PETR4) viveu um dia um tanto quanto estranho na Bovespa. Enquanto as ações preferenciais terminaram a terça-feira com uma leve alta de 0,4%, as ordinárias derreteram 8,3% – para o menor nível desde 28 de dezembro de 2005. Os investidores reagiram ao balanço de 2012 publicado na segunda-feira à noite.

O lucro líquido em 2012 sofreu uma queda de 36%, para 21,182 bilhões de reais. No quarto trimestre, o lucro líquido ficou em 7,747 bilhões de reais, 53% maior que os 5,049 bilhões registrados no mesmo período do ano passado e do que era esperado. A melhora, contudo, veio por conta do resultado financeiro – nada ligado às operações principais.

“Apesar de um lucro líquido maior no último trimestre de 2012 ante o mesmo período do ano anterior, destacadamente em razão de um melhor resultado financeiro, velhos problemas novamente impactaram sobremaneira os resultados, traduzindo-se em queda na geração operacional de caixa e na rentabilidade real”, ressalta Marco Aurélio Barbosa, analista da Coinvalores, em relatório.

Dividendos

A explicação para o desempenho diferente das ações no pregão está no anúncio sobre a distribuição dos 8,8 bilhões de reais sobre os dividendos do lucro do ano passado. “A empresa anunciou queda nos dividendos das ações ON para o mínimo de 25% do lucro”, aponta Christian Audi, analista do Santander, em análise.

A companhia informou que pagará dividendo de 0,47 real por ação ordinária e 0,96 real por ação preferencial e ainda relatou que essa diferença pode continuar. Em teleconferência, o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, disse que a política de dividendos seguirá a mesma, mas que os acionistas preferenciais terão, algumas vezes, preferência na distribuição de dividendos. O corte teria guardado 3,6 bilhões de reais nos cofres da empresa, segundo cálculos do Citi.

“Para 2013, dependendo do lucro líquido obtido, as ações preferenciais poderão novamente receber dividendos acima das ações ordinárias”, projeta Luiz Otávio Broad, da Ágora Corretora.


“A mudança nos dividendos ilustra que as dificuldades financeiras podem levar a Petrobras revisar alguns pilares da alocação de capital”, observa Emerson Leite, analista do Credit Suisse, em relatório. Ele pontua, contudo, que não espera uma mudança no plano de investimentos que, aliás, foi elevado em 2013.

“Embora a diferença nos dividendos possa sugerir que a companhia está tentando economizar caixa, o aumento substancial no capex [investimento] não sustenta esta conclusão”, ressalta Paula Kovarsky e Diego Mendes, analistas do Itaú BBA. O plano é investir 97,7 bilhões de reais em 2013, 16% acima do que foi aplicado no ano passado.

Corte de custos

Um ponto positivo no balanço da estatal no período é a redução de custos na comparação do quarto com o terceiro trimestre do ano passado, o que acende uma luz de esperança sobre o efeito que o plano de corte de custos de 32 bilhões de reais até 2016. Alguns gastos, como os de refino, caíram 10% na comparação. Essa é a principal aposta dos analistas para melhorar a margem da Petrobras, mas a expectativa é de que as ações de eficiência e produtividade demorem a se concretizar.

A presidente da empresa, Maria das Graças Foster, disse que reconhece as dificuldades que se apresentam e que após um extenso e detalhado diagnóstico definiu prioridades e ações estruturantes de curto e médio prazos para aprimorar os resultados econômico-financeiros.

“São todas afirmações fortes, e não termos dúvida sobre as intenções e esforços da administração. Infelizmente, o mercado de ações provavelmente precisa ver sinais de melhorias antes de acreditar (e precificar) uma reviravolta da Petrobras”, conclui Leite, da Petrobras.